SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A ex-procuradora-geral dos EUA Pam Bondi foi diagnosticada com câncer de tireoide pouco depois de deixar o Departamento de Justiça, revelou nesta terça-feira (26) o site Axios.

Bondi, 60, passou por tratamento e está em recuperação. A mulher foi demitida em abril pelo presidente Donald Trump após 14 meses no cargo, sob pressão por causa da condução e da divulgação de arquivos do caso Jeffrey Epstein.

A ex-assessora da Casa Branca Katie Miller também comentou o caso. "Pam tem estado silenciosamente lutando contra o câncer nas últimas semanas, tem um coração de ouro", escreveu em uma postagem no X após a publicação da reportagem.

O Axios divulgou a informação ao noticiar que Trump a nomeou para um comitê consultivo voltado à política de inteligência artificial. Ela deve integrar a partir de agora o Conselho Presidencial de Assessores de Ciência e Tecnologia, e será a responsável por facilitar o contato entre o governo e gigantes da tecnologia.

Vice-presidente dos EUA celebrou a nomeação. "Pam tem sido um recurso extremamente valioso para a equipe do presidente, e estou muito feliz por ela e por todos nós que ela continuará envolvida no enfrentamento de algumas das questões mais importantes", falou JD Vance.

O ANÚNCIO DA SAÍDA DE PAM BONDI

Trump anunciou a demissão dela nas redes sociais, com elogios à procuradora. Ele escreveu que Bondi é uma "Grande Patriota Americana" e uma "amiga leal" que serviu como sua procuradora-geral no último ano. No lugar dela, assumiu o vice, Todd Blanche, que agora é procurador-geral interino do país.

Republicano teria ficado frustrado com a liderança de Bondi à frente do Departamento de Justiça. O jornal The New York Times relatou que ele não gostou da forma como ela lidou com os arquivos ligados ao caso Jeffrey Epstein, tema que acompanhou o mandato dela.

A demissão ocorreu em meio a críticas sobre cortes e retenções na divulgação de documentos do caso Epstein. Parlamentares afirmam que as edições e a não divulgação de parte do material ultrapassam os limites de uma lei aprovada pelo Congresso em novembro, enquanto o Departamento cita prerrogativas legais e "sigilo profissional" para as omissões.

Bondi ganhou projeção nacional como aliada de Trump e integrou a equipe que o defendeu em um julgamento de impeachment em 2020. Ela também esteve entre republicanos que o apoiaram quando ele foi acusado de pagar pelo silêncio de uma atriz pornô durante a campanha de 2016.

Antes de chegar ao governo federal, ela foi procuradora-geral da Flórida por oito anos e foi a primeira mulher a ocupar o cargo no estado. Ela priorizou temas como tráfico humano e defendeu leis estaduais mais duras contra traficantes.