BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Pelo menos três dias de combates entre grupos dissidentes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) deixaram dezenas de mortos na zona central da Colômbia às vésperas das eleições presidenciais no país, disseram nesta quinta-feira (28) a imprensa local e a agência de notícias AFP.

O número, baseado em relatos de autoridades e cidadãos, ainda é incerto. O jornal El Colombiano fala em cerca de 50 mortes, enquanto a AFP, citando uma entrevista com um prefeito da região, informa que 48 rebeldes morreram.

Fato é que a onda de violência, que começou na última segunda (25), deve repercutir até o dia da votação para presidente, no próximo domingo (31) ?a insegurança foi uma dos principais temas da campanha.

"Os corpos estão amontoados lá, precisam ser removidos", afirmou à agência de notícias Willy Rodríguez, prefeito de San José del Guaviare, capital do departamento onde a matança ocorreu e talvez ainda esteja ocorrendo, já que não se sabe se os combates continuam.

O político descreveu o cenário mórbido com base em relatos de pessoas da comunidade, uma vez que as autoridades não conseguiram chegar ao local, segundo a AFP. Pela manhã, equipes de resgate ainda aguardavam a autorização dos grupos armados para recolher os corpos.

Guaviare é um dos departamentos da Amazônia colombiana que mais sofre com a disputa entre facções dissidentes das Farc, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. A região, um reduto histórico da guerrilha que assinou um acordo de paz com o Estado colombiano em 2016, provavelmente está repleta de minas terrestres que os grupos dissidentes instalam para tentar controlar o garimpo e rotas de narcotráfico.

De acordo com apuração do jornal El Colombiano, o confronto antagonizou as facções Estado-Maior Central, liderada por Iván Mordisco, o criminoso mais buscado do país, e o grupo Isaías Carvajal, ligado a Jorge Suárez Briceño, ou "Calarcá".

Aliados até 2023, os criminosos se afastaram devido a discordâncias em relação ao processo de paz que Gustavo Petro, um ex-guerrilheiro que se tornou o primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia, tentou levar a cabo em seu mandato, sem sucesso.

Sob seu governo, a ordem pública virou novamente o principal problema para a população, e o número de sequestros saltou para 527 no ano passado, mais do que o dobro de 2024.

"As estruturas criminosas de Mordisco e Calarcá entraram em confronto (...) devido a disputas relacionadas ao tráfico de drogas, extorsão e outras atividades ilícitas", afirmou o ministro da Defesa, Pedro Sánchez, segundo o jornal. À Blu Radio, disse que os grupos têm "um único objetivo": "a economia do crime, viver do narcotráfico".

"Mobilizamos unidades na área. Tentamos fazer isso por via aérea, mas foi impossível devido ao clima, e as tropas estão avançando por terra", acrescentou.

Segundo Sánchez, o confronto pode ter matado menores de idade. "Esses graves acontecimentos demonstram, mais uma vez, o desprezo que esses grupos têm pela vida humana desde muito jovens e confirmam que continuam a cometer crimes de guerra e crimes contra a humanidade", afirmou.ou.