SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O senador Iván Cepeda, apoiado pelo atual presidente colombiano Gustavo Petro, convidou o candidato de extrema direita Abelardo de la Espriella para um debate após sair em desvantagem em primeiro turno.

O convite ocorreu nesta manhã. "Aviso à opinião pública que intimei para debate político e eleitoral o candidato Abelardo de la Espriella", escreveu Cepeda pelo X. O senador disse que já designou uma equipe para tentar fazer o diálogo acontecer.

Mais cedo, ele havia criticado Espriella por incentivar seus apoiadores a usar a camiseta da Seleção de futebol da Colômbia para votar. "Seu uso com fins eleitorais, particulares e ideológicos, é um ato claramente oportunista, cujos efeitos jurídicos devem ser examinados. Mais ainda quando estamos a poucos dias do início da Copa Mundial de Futebol", escreveu nas redes sociais.

Em resposta, o opositor disse que eles poderão debater se o senador reconhecer o resultado do primeiro turno. Petro declarou que não aceita os resultados da contagem preliminar, criticou a empresa responsável pela apuração e disse que a Colômbia está "em perigo de fraude eleitoral".

"Petro e você têm que dar a cara ao povo, porque estão executando um plano para roubar as eleições. Reconheçam o resultado; não continuem atiçando um golpe", disse Abelardo de la Espriella.

Espriella também criticou Cepada por querer debater neste momento. "Agora, covarde? Você se escondeu enquanto seu dono fazia sua campanha, e eles falharam", falou, em referência ao apoio da atual presidência.

Por fim, o candidato de extrema direita pediu para que os detalhes da discussão sejam combinados. Ele solicitou que meios de comunicação fixem data e hora para esse debate, além de incentivar que reconheçam o resultado das urnas.

Com 100% das urnas apuradas, Espriella recebeu 43,74% dos votos e saiu na frente no primeiro turno. Já Cepeda conquistou 40,9% dos votos. O segundo turno será no dia 21 de junho.

As pesquisas eleitorais apontavam vantagem para o candidato de esquerda. Cepeda tem 63 anos, é formado em filosofia, filiado ao Pacto Histórico -mesmo partido de Petro- e atualmente ocupa o cargo de senador.

Ele ficou conhecido por atuar nas negociações do acordo de paz com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em 2016. Filho de um líder comunista assassinado, prometeu buscar a paz com grupos armados ilegais por meio do diálogo. Também defendeu a continuidade de políticas do governo Petro para reduzir a desigualdade.

Conhecido como El Tigre, Espriella disparou nos levantamentos de intenção de voto na reta final da campanha. Ele tem 47 anos, é advogado, lidera o movimento de extrema direita Defensores da Pátria e nunca tinha disputado uma eleição antes. O candidato é admirador dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei.

Espriella tem sido chamado de "Bukele colombiano" pelas semelhanças com o presidente de El Salvador. Ele também promete adotar propostas linha dura na segurança pública, assim como Nayib Bukele, que se tornou referência para a ultradireita nessa área. Na campanha, disse que colocaria o Exército nas ruas para cuidar da segurança e que assinaria a extradição de Petro caso os EUA pedissem.

Como advogado, Espriella defendeu muitos dos que pretende combater se for eleito presidente. Ele foi advogado de narcotraficantes e do empresário Alex Saab, acusado de atuar como laranja do ditador venezuelano Nicolás Maduro.

Eleição na Colômbia foi marcada por onda de violência. O senador e então pré-candidato à presidência Miguel Uribe Turbay sofreu um atentado a tiros em agosto de 2025. Cepeda, Espriella e Valencia também denunciaram ameaças de morte durante a campanha. Na semana passada, o senador Alexander López sofreu um ataque a tiros em uma rodovia. Em fevereiro, Aida Quilcué, candidata a vice-presidente na chapa de Cepeda, foi sequestrada por um grupo armado e liberada horas depois.