SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A conta oficial da embaixada do Irã na Tunísia compartilhou nesta segunda-feira (1º) um vídeo feito com inteligência artificial que mostra uma luta entre o monumento do Cristo Redentor, do Rio de Janeiro, e a Estátua da Liberdade, de Nova York.

O post faz parte de uma estratégia de uso do meme como propaganda de guerra em meio ao atual conflito no Oriente Médio. Contas de embaixadas persas passaram a publicar imagens e vídeos ridicularizando o inimigo, incluindo o próprio presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Não está clara a motivação do post recente com o monumento brasileiro. A animação mostra a escultura americana se aproximando e, em seguida, tentando dar um soco no Cristo. As duas estátuas entram em uma briga.

No fim, o Cristo vence o duelo ao quebrar a Estátua da Liberdade ao meio e voltar ao seu posto.

"Uma frente. Uma luta. A vitória da fé sobre o imperialismo", afirma a legenda. A publicação foi compartilhada na rede X antes do anúncio da proposta do governo Trump para um novo tarifaço de 25% sobre bens importados do país.

Na guerra de memes, o próprio presidente tem usado sua conta oficial e as da Casa Branca para publicar imagens e vídeos com inteligência artificial sobre o conflito e outras questões geopolíticas de seu interesse.

Como mostrou reportagem da Folha de S.Paulo, enquanto os EUA tendem a apostar em publicações de tom épico, que apelam à ideia de grandeza e masculinidade idealizadas pela base de Trump, o Irã envereda pelo caminho da ridicularização.

Em outro post provocativo publicado por uma embaixada iraniana, um Trump de túnica aparece sendo atacado por Jesus, que dá um soco sanguinolento na boca do presidente americano e o derruba em um fosso de lava ?presumivelmente, uma entrada do inferno.

"Há três tipos de propaganda: aquela para seu próprio público, que serve para reafirmar a guerra. A para países neutros, que busca fazer com que apoiem sua guerra ou não se juntem ao inimigo. E a direcionada ao seu inimigo, que visa quebrar a vontade de resistência", afirmou Nick Cull, professor de comunicação da Universidade do Sul da Califórnia em Annenberg (USC), especializado na história da propaganda de guerra.