SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, negou nesta terça-feira (2) que as negociações com o Irã para tenham parado. A declaração, dada em audiência no Senado, ocorre um dia após a agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, noticiar que Teerã havia interrompido as conversas indiretas com Washington devido aos recentes ataques de Israel contra o Líbano.
O secretário de Estado afirmou que a equipe de negociação do presidente Donald Trump não ofereceu alívio de sanções em troca da reabertura do estreito de Hormuz e insistiu que qualquer flexibilização está condicionada ao abandono do programa nuclear iraniano.
"O Irã está sob sanções porque enriqueceu urânio em níveis elevados. O Irã está sob sanções por causa de suas atividades nucleares. Se concordar em abandonar essas atividades, haverá um alívio de sanções associado ao seu compromisso e ao cumprimento desses acordos", declarou.
Rubio compareceu ao Comitê de Relações Exteriores do Senado, enquanto o governo Trump busca aprovação do Congresso para um corte proposto de 30% no orçamento para assuntos externos e um aumento de 50% nos gastos militares.
Ele também participaria de outras três audiências até quarta-feira, em meio a sinais de preocupação sobre a guerra com o Irã por parte de aliados republicanos. Rubio já havia participado de reuniões fechadas com membros do Congresso para discutir a guerra com o Irã, mas ainda não havia prestado depoimento público sobre o conflito.
O secretário disse acreditar que o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, está cada vez mais envolvido nas negociações com Washington. "Todas as suas comunicações ocorreram por escrito e por meio de intermediários", acrescentou.
Mojtaba sucedeu seu pai, Ali Khamenei, que morreu na primeira onda de ataques dos Estados Unidos e de Israel, em 28 de fevereiro, que desencadeou a guerra.
Com os americanos cada vez mais pressionados pela alta dos preços, republicanos esperam que Trump consiga reabrir o estreito de Hormuz e reduzir o preço da gasolina antes das eleições de novembro, que definirão se o partido manterá sua estreita maioria no Congresso.
Ao mesmo tempo, Trump enfrenta resistência da ala mais linha-dura de seu partido, contrária a qualquer concessão ao Irã.
O Irã busca um acordo provisório que inclua alívio de sanções e libere o acesso a bilhões de dólares em receitas do petróleo. Enquanto isso, Washington segue ampliando as sanções contra indivíduos e entidades iranianas, mesmo com as negociações em andamento.
Rubio não indicou quando um eventual acordo poderia ser fechado. Segundo ele, o Irã pretendia fortalecer seu arsenal convencional para proteger o programa nuclear. "O que eles tentaram fazer foi construir um escudo convencional e se esconder atrás dele", afirmou, ao justificar a decisão de Trump de iniciar a guerra.
O conflito, agora em seu quarto mês, vem enfrentando questionamentos crescentes. Os EUA e o Irã voltaram a trocar ataques nos últimos dias, aumentando a tensão em torno das negociações. Teerã atribuiu a lentidão das conversas às posições contraditórias de Washington, além de condicionar qualquer acordo de paz ao cumprimento do cessar-fogo no país.
Segundo a agência Tasnim, Teerã e o que chamou de sua "frente de resistência", que inclui grupos aliados no Iêmen, no Líbano e no Iraque, definiram uma estratégia para bloquear completamente o estreito de Hormuz e ativar outras frentes de conflito, incluindo o estreito de Bab el-Mandeb.
A passagem, localizada na costa do Iêmen, é um dos principais gargalos do transporte marítimo global e controla o fluxo de navios em direção ao canal de Suez. Os houthis, grupo armado aliado do Irã que controla partes do Iêmen, poderiam, portanto, atuar para estrangular o corredor marítimo.