SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump declarou apoio ao candidato ultradireitista Abelardo de la Espriella no segundo turno da corrida presidencial na Colômbia, marcado para o próximo dia 21, em mais um movimento da Casa Branca para influenciar os rumos de governos na América Latina.
"Os resultados desta eleição são muito importantes para o futuro da Colômbia e para sua relação com os Estados Unidos", afirmou Trump em uma publicação nas redes sociais.
Estreante na política do país, Espirella enfrentará Iván Cepeda, senador apadrinhado por Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda do país que teve uma relação conturbada com o líder republicano, marcada por discussões públicas e sanções impostas por Washington.
Os dois avançaram ao segundo turno após uma primeira volta acirrada e marcada por polêmicas no último fim de semana. Cepeda chegou a fazer acusações de irregularidades, mas recuou e acabou reconhecendo os resultados que colocaram o ultradireitista na liderança, contrariando pesquisas de intenção de voto.
Espriella, que nunca ocupou um cargo eletivo, obteve quase 44% dos votos, enquanto Cepeda, senador e ativista de longa data, recebeu pouco menos de 41%. Como advogado, Espirella ficou famoso por ter defendido membros de grupos paramilitares e um suposto laranja do ditador Nicolás Maduro.
Na política, seu estilo tem rendido comparações com Nayib Bukele, presidente de El Salvador, devido aos seus comícios espalhafatosos e seu discurso linha-dura contra o crime.
Ele agradeceu Trump pelo apoio em um longo post nas redes sociais. "Recebo suas palavras e seu firme apoio de cabeça erguida e com o coração cheio de gratidão patriótica", escreveu.
O colombiano disse que vê em Trump "um líder de verdadeira força e convicção", acrescentando que as políticas de segurança dos dois líderes "estão plenamente alinhadas". O post é acompanhado de uma ilustração, gerada por inteligência artificial, de uma águia, símbolo dos EUAs, ao lado de um tigre, animal adotado como emblema por Espriella.
"O narcoterrorismo é o câncer que destrói nossas sociedades, e nós o enfrentaremos sem trégua, com determinação de ferro e sem pedir desculpas por isso", afirmou ainda a publicação.
Nos últimos meses, o governo Trump revisou definições ligadas ao narcoterrorismo e intensificou operações no exterior, sobretudo na América Latina, contra organizações enquadradas nessa categoria. As acusações ligadas ao tema têm sido utilizadas pela Casa Branca como fundamento para a intervenção em outros países, como ocorreu com a captura de Nicolás Maduro na Venezuela.
Como mostrou reportagem da Folha, a violência foi o tema do pleito, com candidatos denunciando ameaças de morte ao longo da campanha. O cenário explica o apelo do discurso de Espriella, que também promete liberar o porte de armas e acabar com o tribunal criado pelo acordo de paz, além de construir megaprisões.
Dez anos após o acordo com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), os grupos armados que atuam no país já diversificaram as suas atividades com garimpo, contrabando de migrantes, tráfico de madeira e sequestro ?esse último, um crime que triplicou ao longo do mandato de Petro, com uma explosão em 2025.