SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Ministério das Relações Exteriores do Kuwait informou que uma pessoa morreu e dezenas ficaram feridas em ataques do Irã nesta quarta-feira (3) que tiveram como alvo instalações civis no país, incluindo o aeroporto internacional e missões diplomáticas.
Em resposta ao que chamou de "agressões contínuas e hediondas" de Teerã, o governo do Kuwait convocou o encarregado de negócios da embaixada iraniana e declarou dois diplomatas do país persa "persona non grata", em medidas que sinalizam descontentamento. A expressão em latim é usada como manifestação de determinado Estado de que a pessoa em questão não é bem-vinda ou aceitável ali.
A ofensiva atribuída ao Irã representou um agravamento do conflito no Oriente Médio. O Kuwait, país do Golfo rico em petróleo, vinha registrando relativa estabilidade desde o cessar-fogo firmado com Teerã em 8 de abril. Antes, forças iranianas haviam disparado uma série de mísseis e lançado drones contra a nação, aliada dos Estados Unidos, e também contra outros Estados da região.
O ataque ao Aeroporto Internacional do Kuwait feriu 63 pessoas e forçou as autoridades a desviar voos, informou a agência estatal de notícias. Segundo comunicado da Autoridade Geral de Aviação Civil, a ofensiva também causou danos severos a um dos terminais do aeroporto.
A Kuwait Airways informou que reagendaria os voos previstos para esta quarta. Pouco depois, a autoridade de aviação civil anunciou que a companhia aérea nacional havia retomado as operações a partir de outro terminal, após uma avaliação dos danos e a adoção de medidas de segurança.
O Ministério da Defesa kuwaitiano afirmou ter detectado 30 mísseis balísticos e drones lançados pelo Irã. Segundo o porta-voz da pasta, Saud Abdulaziz al-Atwan, as Forças Armadas identificaram e interceptaram 13 mísseis balísticos hostis no espaço aéreo do país desde o início da madrugada. Os projéteis foram abatidos sobre diferentes áreas residenciais, o que resultou na queda de destroços em alguns locais.
O ministério acrescentou que outros 17 drones foram detectados e neutralizados. Segundo o governo kuwaitiano, os ataques tiveram como alvo instalações civis e infraestruturas consideradas estratégicas.
Mais cedo, os militares dos Estados Unidos afirmaram que os mísseis iranianos lançados contra o Kuwait não haviam atingido seus alvos ou tinham se desintegrado durante o voo. A avaliação, no entanto, foi posteriormente desmentida pelos acontecimentos registrados no país. Já outros três mísseis disparados em direção ao Bahrein teriam sido interceptados por forças americanas e bareinitas.
Segundo o Comando Central dos EUA, uma nova onda de drones iranianos direcionados a forças americanas no Kuwait não atingiu os alvos pretendidos. Em publicação na rede X, o comando acrescentou que mísseis balísticos iranianos disparados contra países vizinhos da região também falharam em alcançar seus objetivos.
Numa medida retaliatória, forças americanas atacaram alvos na Ilha de Qeshm, onde interceptaram mísseis balísticos e drones iranianos.
Já a Guarda Revolucionária do Irã assumiu a autoria do ataque contra o Kuwait. Segundo a organização, a ofensiva foi uma retaliação a ações militares dos EUA contra um petroleiro iraniano.
Em comunicado divulgado em seu canal oficial no Telegram, a força militar iraniana escreveu que a ofensiva teve como alvo a base aérea Ali Al-Salem, utilizada por helicópteros militares, além da sede da Quinta Frota da Marinha dos EUA, no Bahrein.
Ainda segundo a organização, os ataques foram feitos com mísseis e drones. O grupo classificou a ação como uma resposta ao que descreveu como agressão americana contra interesses iranianos.
A Índia também condenou o ataque iraniano ao aeroporto do Kuwait. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores indiano confirmou a morte de um cidadão do país e informou que vários outros ficaram feridos. Nova Déli voltou a pedir o fim das hostilidades e conclamou as partes a interromper os ataques.