SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou ao Senado o nome do atual secretário interino da Justiça, Todd Blanche, para assumir o cargo definitivamente, informou a Casa Branca nesta segunda-feira (8).

Trump já havia indicado que planejava nomear Blanche, que já atuou como seu advogado pessoal de defesa, para liderar o Departamento de Justiça de forma permanente. Enquanto interino, ele se mostrou um colaborador leal e de confiança e disposto a cumprir exigências do presidente.

Dan Scavino, um dos conselheiros mais próximos de Trump, postou um vídeo do presidente anunciando o plano na quarta-feira, durante um evento fechado no Jardim das Rosas da Casa Branca. "Amanhã vou instruir Dan e todos os demais envolvidos nesse processo muito complicado, que vai ocorrer, creio eu, muito rapidamente, para que o tornemos secretário de Justiça permanente", disse Trump sobre Blanche.

Trump não fez um anúncio público, mas Blanche disse após a publicação do vídeo que "não poderia estar mais feliz" com a notícia. "Sempre que o presidente Trump indica você, é uma honra, a honra de uma vida", disse em entrevista à NewsNation na quinta.

Com a nomeação formal, o governo Trump pode desencadear uma batalha acirrada de confirmação no Senado, onde Blanche tem enfrentado questionamentos contundentes sobre temas que incluem suas ações no caso Jeffrey Epstein e sua aprovação de processos contra pessoas que Trump tem como alvo de retaliação.

Blanche também enfrentou forte reação negativa em relação ao plano do presidente de criar um fundo de US$ 1,8 bilhão para usar o dinheiro dos contribuintes para pagar seus aliados que afirmam ter sido perseguidos politicamente.

O atual secretário interino, no entanto, expressou esperança de que possa conquistar os senadores. "No processo de confirmação, trabalharemos com o Senado", disse. "Estou muito otimista."

O ex-advogado pessoal de Trump assumiu a pasta após a demissão de Pam Bondi, no início de abril. "Pam fez um trabalho tremendo supervisionando uma repressão massiva ao crime em todo o nosso país [...]. Amamos Pam, e ela fará a transição para um novo emprego muito necessário e importante no setor privado, a ser anunciado no futuro próximo", escreveu Trump naquele momento.

A queda de Bondi já era uma possibilidade ventilada semanas antes de sua saída. A demissão foi a segunda de uma mulher no gabinete de Trump ?a primeira foi a ex-secretária Kristi Noem, que liderava o Departamento de Segurança Interna e foi demitida após crises no ICE e por envolver Trump em uma campanha publicitária da sua pasta que custou US$ 200 milhões (R$ 1,03 bilhão).

De acordo com o jornal The New York Times, o presidente teria demonstrado insatisfação com a atuação de Bondi na condução do caso Epstein, que se tornou crise política para o republicano. Bondi acumulava polêmicas na liberação dos arquivos relacionados a Jeffrey Epstein, criminoso sexual morto em 2019. Ela foi criticada pelo atraso na divulgação dos papéis e por reter documentos com menções a Trump.

Segundo o jornal americano, a má condução se tornou um problema político para Trump e seus aliados, uma vez que, em campanha, ele prometeu transparência sobre o caso, questão importante para a base Maga (sigla em inglês para "faça a América grandiosa novamente").

Também na última semana, Trump nomeou Bill Pulte, que tem pressionado por investigações contra os adversários do presidente, para atuar como diretor interino de inteligência nacional, dando-lhe supervisão sobre as agências de inteligência dos EUA.

Pulte, que lidera a Agência Federal de Financiamento Imobiliário, não tem histórico conhecido em inteligência, defesa ou segurança nacional. Ele tem estado entre os defensores mais agressivos da perseguição judicial a democratas e outros que Trump considera terem se oposto a ele.

Sua nomeação levou os democratas a ameaçarem impedir uma nova autorização de um programa de vigilância usado para proteger o país contra ameaças à segurança nacional.