SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Apesar dos sinais de avanço nas negociações de paz entre Estados Unidos e Irã, os ataques no Oriente Médio continuam. Washington anunciou neste sábado (13) que derrubou vários drones iranianos que tinham como alvo navios comerciais no estreito de Hormuz, via marítima bloqueada por Teerã desde o início do conflito.
Na véspera, representantes dos EUA e do Irã indicaram que estão próximos de um consenso para encerrar o conflito, embora ainda haja divergências sobre pontos centrais do acordo. O Paquistão, que atua como mediador, continuou manifestando otimismo e afirmou neste sábado que o documento poderia ser assinado em até 24 horas.
Teerã, por sua vez, disse que é necessário cautela sobre o cronograma e que o acordo não seria assinado neste domingo (14). "Teremos de esperar para ver a data exata da assinatura do memorando de entendimento, embora isso não aconteça amanhã [domingo]", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, de acordo com a mídia estatal.
"A possibilidade de isso ocorrer nos próximos dias não pode ser descartada. No entanto, devido à hesitação da outra parte, devemos ser cautelosos ao fazer comentários sobre este processo."
Na sexta (12), Trump voltou a dizer que um acordo está próximo, e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que um entendimento "nunca esteve tão perto".
No entanto, as versões de um possível compromisso divulgadas pela imprensa iraniana e por Washington apresentam diferenças significativas. Araghchi afirmou que o projeto prevê o fim do bloqueio americano aos portos de seu país, além de uma nova gestão de Hormuz.
Washington apresentou uma versão diferente. Segundo um funcionário de alto escalão do governo americano, o acordo determina a reabertura da via marítima, o desmantelamento do programa nuclear iraniano e a destruição de seu urânio enriquecido, que seria posteriormente retirado do país persa.
Teerã, por sua vez, diz que ainda não há um consenso sobre o programa nuclear do país.
A Suíça já se ofereceu para sediar uma possível assinatura do acordo, justamente quando, na segunda (15), terá início a cúpula do G7 com a presença de Trump na cidade francesa de Evian, próxima a Genebra.
No entanto, Teerã afirmou que o memorando de entendimento deverá ser assinado de forma remota. Trump, por sua vez, deverá se encontrar com líderes do Oriente Médio e participar de uma sessão de trabalho com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, durante a cúpula do G7, segundo funcionários do governo afirmaram à agência de notícias Reuters.
O republicano terá encontros separados com os líderes de Egito, Qatar, Emirados Árabes, França e Índia.
Outro importante ponto de atrito é a frente libanesa. Segundo Washington, o acordo em negociação prevê o fim dos bombardeios ao Líbano, como exige Teerã.
O país foi arrastado para a guerra em 2 de março, quando o Hezbollah atacou Israel em apoio ao Irã. Desde então, Tel Aviv tem atacado o vizinho e passou a ocupar o sul libanês. Os dois países acordaram um cessar-fogo em abril.
A trégua diminuiu os bombardeios, mas não encerrou os confrontos, e Israel nunca interrompeu sua campanha militar no país. Neste sábado, forças israelenses voltaram a bombardear o sul do Líbano, pouco depois de exigir o esvaziamento de 20 localidades na região.
Os bombardeios atingiram as regiões de Rihan e Sujud, segundo a agência de notícias libanesa NNA.