SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O futebol virou alvo para operações do ICE, o serviço de imigração e fiscalização aduaneira dos EUA, segundo um relatório da organização norte-americana Human Rights Soccer Alliance. Desde janeiro de 2025, houve pelo menos 17 casos de detenção ou deportação de jogadores, treinadores, pais de atletas ou torcedores.

Organização afirma que esporte está "profundamente enraizado em comunidades imigrantes". "Por gerações, ele serviu como um espaço de pertencimento, desenvolvimento e expressão cultural. No entanto, desde o início de 2025, a fiscalização da imigração se intensificou em escala e alcance. As ações de fiscalização se estenderam a espaços cotidianos centrais para a vida do futebol, incluindo escolas, parques, centros comunitários e instalações esportivas", diz trecho da publicação.

Pelo menos 17 casos foram registrados desde 2025. A organização diz que nenhum deles envolvem indivíduos com antecedentes criminais. "Esses casos ilustram um padrão preocupante em que a participação comum em atividades relacionadas ao futebol pode resultar em detenção ou deportação".

Entre os casos há o de dois jovens jogadores e de um pai deportado. Uma das situações relatadas pela organização foi a de dois jovens jogadores de futebol que foram detidos após um treino no Hudson River Park, em Nova York. Também há a história de um pai de duas crianças que havia entrado com pedido de refúgio e foi detido no estacionamento ao lado do estádio MetLife antes da final da Copa do Mundo de Clubes da FIFA em julho do ano passado. Três meses depois, ele foi deportado.

Eventos esportivos também sofreram impactos. O relatório também divulgou que o medo em relação as detenções e deportações fez com que atividades esportivas ligadas ao futebol sofressem impactos, como cancelamentos. Um dos casos relatados é o de uma liga de juvenil em Portland que cancelou competição após relatos de atividades do ICE em parques comunitários em novembro do ano passado. Outro caso foi a detenção de pais de jovens jogadores em um evento no Arizona em dezembro.

Organização fez alerta para a Copa do Mundo. No relatório, a organização diz que a FIFA afirmou ter recebido garantia do governo dos EUA que a fiscalização não teria cidades-sede ou locais da Copa do Mundo como alvo, mas que garantias são informais. "Não há nenhum memorando ou protocolo de fiscalização disponível ao público que esclareça o que significa "nenhuma presença do ICE" em termos operacionais", diz documento, citando a fiscalização de eventos da FIFA em 2025.

Governo americano defendeu que foco do ICE será de segurança e combate a crimes, não imigração. A atuação foi detalhada pelo Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) dos EUA. Em vídeo publicado pela conta oficial do ICE, o secretário da pasta, Markwayne Mullin, afirmou que agentes do ICE e da divisão HSI estarão "todos os dias" nos eventos da Copa.

O discurso oficial é de apoio à segurança do torneio. Mullin disse que os agentes vão atuar contra venda de ingressos falsos, tráfico humano, contrabando de drogas e produtos falsificados, trabalhando em conjunto com a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP).

O governo afirma que turistas legais não serão alvo. Em nota enviada à imprensa americana, o Departamento de Segurança Interna afirmou que visitantes estrangeiros "não têm nada com que se preocupar" desde que estejam legalmente nos EUA.

As autoridades negam fiscalização migratória nos jogos. Segundo informações da rede NBC News, agentes do ICE destacados para a segurança da Copa "não vão verificar o status migratório" de torcedores ou funcionários dos estádios.