SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, viu de perto seu novo Boeing 747 modernizado, um avião presenteado pelo Qatar, na base aérea Andrews, em Maryland, nesta sexta-feira (19), enquanto a aeronave se aproxima da entrega para integrar a frota do Air Force One.
"Este é considerado o avião mais luxuoso do mundo. Quando foi construído, foi construído em um nível que provavelmente nunca mais será visto", disse Trump.
A aeronave oferecida pelo Qatar como presente no ano passado foi reformada pela empresa de defesa L3Harris Technologies e passou por testes de voo e pintura com as cores vermelho, branco, azul-escuro e dourado escolhidas por Trump, marcando uma mudança em relação ao design usado no Air Force One por décadas.
Trump afirmou que a modernização era necessária para acompanhar as aeronaves mais modernas utilizadas por líderes estrangeiros. "Esses países têm muito respeito por nós, e ainda assim possuem um avião muito mais novo e muito melhor. É um pouco ridículo", disse.
Trump afirmou que o restante da frota do Air Force One também terá o novo design. A adição à frota de Trump proporciona um avião mais moderno e luxuoso para o presidente, seus assessores, equipe de segurança e a imprensa. O custo da modernização não foi divulgado e foi realizada tão rapidamente que alguns especialistas temem que a aeronave não seja tão segura quanto o atual Air Force One.
O esforço acelerado da Força Aérea deixou de lado algumas modificações planejadas para o jato presidencial de próxima geração, a fim de entregar uma versão provisória mais cedo, mas as autoridades afirmaram que ela atende aos padrões presidenciais.
"A segurança do comandante-em-chefe é nossa maior prioridade", disse o secretário da Força Aérea, Troy Meink, em um comunicado nesta sexta. "Desde o início, avaliamos meticulosamente cada requisito para acelerar a entrega, mantendo os altos padrões esperados da missão presidencial."
Trump disse à multidão que a aeronave liderará uma formação que ele descreveu como o "maior sobrevoo da história americana" durante uma cerimônia do 4 de Julho. "Isso vai liderar um grupo de muitos, muitos aviões", disse Trump.
Trump retornou da Europa na manhã desta quinta a bordo de um Boeing 747-200 de uso militar, aeronave que serviu presidentes dos EUA por mais de três décadas. Trump afirmou que essa foi a última viagem da aeronave, acrescentando que ela será eventualmente colocada em um museu.
A aceitação do luxuoso 747 do Qatar pelo governo dos EUA levantou questionamentos sobre se o presente era excessivamente caro. Trump rejeitou as críticas ao acordo, dizendo que seria "estúpido" recusar a oferta.
A modernização da aeronave de luxo exigiu melhorias de segurança, aprimoramentos nas comunicações para evitar espionagem e capacidades de defesa antimíssil, disseram especialistas. Senadores democratas estimaram que a conversão poderia custar mais de US$ 1 bilhão e aumentaria os riscos de segurança.
O jato do Qatar está servindo como aeronave de transição enquanto a Boeing trabalha na entrega de dois 747-8 construídos especificamente para esse fim, sob um contrato de preço fixo de US$ 3,9 bilhões assinado em 2018.
Esse programa está com quatro anos de atraso, com a entrega prevista apenas para meados de 2028 --um atraso que pode deixar Trump sem uma nova aeronave antes do término de seu mandato, em janeiro de 2029. Os custos do programa da Boeing dispararam para mais de US$ 5 bilhões, com a empresa registrando encargos de US$ 2,4 bilhões contra os lucros do projeto.
O novo esquema de cores representa uma mudança em relação ao design branco e azul em dois tons, que datava do governo do presidente John F. Kennedy. A Força Aérea reviveu elementos de uma paleta vermelha, branca e azul que Trump havia defendido anteriormente, mas que foi descartada em 2022, depois que a instituição determinou que cores mais escuras poderiam causar superaquecimento.
A nova pintura em vermelho, branco, azul escuro e dourado também será aplicada ao VC-25B -a designação militar para o Boeing 747-8- e a quatro Boeing 757-200 modificados, usados para transportar o vice-presidente, membros do gabinete e outros funcionários de alto escalão.