SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente boliviano, Rodrigo Paz, chegou a um acordo nesta sexta-feira (19) com a Confederação dos Trabalhadores da Bolívia (COB), um passo importante para a resolução de um conflito que paralisou o país por 50 dias.

Os bolivianos enfrentaram longas filas para abastecer os carros e dificuldades de acesso a alimentos e medicamentos devido aos bloqueios de estradas. "Há um país esperando que a fumaça branca apareça hoje", disse o secretário-executivo da COB, Mario Argollo. "Acreditamos que devemos começar a resolver nossas diferenças; devemos começar a construir um país baseado no consenso, com a participação dos trabalhadores nas decisões."

Os manifestantes, formados principalmente por trabalhadores, camponeses, mineiros e professores, organizaram protestos nas últimas semanas. No início do mês, montaram barricadas com contêineres de lixo nas proximidades do palácio do governo. A polícia respondeu com bombas de gás lacrimogêneo, enquanto os grupos atiravam pedras contra os agentes. Pelo menos cinco pessoas foram detidas durante os confrontos, segundo a imprensa local.

A mobilização refletiu a insatisfação com as reformas propostas por Rodrigo Paz e com a falta de resultados para enfrentar a grave crise econômica no país. O presidente, eleito após duas décadas de governos socialistas liderados por Evo Morales e Luis Arce, lida com um cenário marcado pela escassez de alimentos, combustíveis e medicamentos, além da disparada dos preços.

Em La Paz e El Alto, a população convive com filas em postos de gasolina, dificuldades de abastecimento e falta de insumos médicos em hospitais. De acordo com o governo, os bloqueios de estradas organizados pelos manifestantes causaram prejuízos superiores a US$ 1,2 bilhão (R$ 6,2 bilhões).

Há sete meses no poder, Paz acusa os manifestantes de serem incentivados por grupos ligados ao narcotráfico. Ele sancionou uma lei que amplia seus poderes para decretar estado de exceção. A medida permitiria restringir a liberdade de circulação e reunião, além de autorizar a participação das Forças Armadas na remoção de bloqueios em rodovias.