SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Em um novo capítulo do atrito diplomático com a Itália, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a atacar neste sábado (20) a primeira-ministra do país, Giorgia Meloni. O republicano afirma que ela tenta uma reaproximação com os EUA para "aumentar seus índices de aprovação".
Em publicação na Truth Social, o presidente norte-americano recusou uma eventual tentativa de reaproximação com Meloni. "Depois da derrota militar do Irã pelos Estados Unidos, ela quer voltar a ser amiga do país para aumentar seus índices de aprovação. Não, obrigado!", escreveu ele.
Insatisfação de Trump envolve recusa da Itália de apoiar guerra no Irã. Ele relatou que o governo de Meloni e os países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) se recusaram a apoiar as operações logísticas dos Estados Unidos durante o conflito no Oriente Médio.
"Ela [Meloni] sequer nos permitiu usar as pistas de pouso e decolagem italianas, um grande inconveniente logístico, apesar de os EUA contribuírem com centenas de bilhões de dólares por ano para proteger a Itália e outros aliados da Otan", disse Donald Trump, no Truth Social.
Ele avalia que a aproximação reflete a baixa aprovação da primeira-ministra entre os italianos. "Sua popularidade na Itália está em baixa, possivelmente porque recusou o pedido dos Estados Unidos, um país que realmente ama e protege a Itália, para impedir que o Irã obtivesse ou desenvolvesse uma arma nuclear." Pesquisa da YouGov de maio revelou que 38% dos italianos tinham uma opinião favorável sobre Meloni, enquanto 55% tinham uma opinião desfavorável.
Republicano repetiu que premiê italiana implorou por foto com ele no encontro do G7. Trump reafirmou que ela "pediu repetidas vezes" para tirar uma foto ao lado dele na reunião realizada na França, o que levou o vice dela, Antonio Tajani, cancelar uma viagem aos EUA.
A premiê italiana também reagiu e disse que as declarações de Trump eram "completamente inventadas". Ela disse ainda que nem ela e nem a Itália jamais implorou. "Só posso dizer que é decepcionante que ele não demonstre a mesma determinação com os inimigos do Ocidente e dos Estados Unidos, cujos líderes ele trata com muito mais indulgência", falou.
A italiana já foi uma defensora declarada de Trump e a única líder europeia a comparecer à sua posse, em 2025. No entanto, mais recentemente, ela criticou o presidente dos EUA por atacar o papa Leão 14, distanciando-se após o início da guerra com o Irã. Isso provocou uma dura repreensão do americano, que a acusou de falta de coragem.