SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Quase 24 horas depois dos terremotos que atingiram a costa norte da Venezuela na quarta-feira (24), o regime venezuelano ainda não divulgou nenhuma ferramenta oficial para contabilizar desaparecidos.
A Folha de S.Paulo encontrou dois sites onde a maioria dos pedidos de ajuda estão sendo feitos: o Venezuela Te Busca e o Desaparecidos Terremoto Venezuela (https://desaparecidosterremotovenezuela.com/), criados pela sociedade civil para concentrar os as informações sobre as vítimas do maior terremoto da história do país desde 1900.
Nas plataformas, qualquer pessoa pode enviar informações sobre os desaparecidos, como idade, nome e onde estavam antes do sismo, além de contatos para receber respostas. Jornais locais e líderes da oposição venezuelana, como María Corina Machado e Edmundo González, estão divulgando as ferramentas.
As comunicações foram interrompidas nos locais mais afetados, e muitos familiares ainda não tem informações de seus parentes.
"Após o terremoto, muitas famílias continuam sem saber dos seus. Se você não conseguir se comunicar com alguém, relate aqui. E se você já o encontrou, avise-nos ?para que seu nome traga tranquilidade, não angústia." diz um comunicado na página inicial do Desaparecidos Terremoto Venezuela.
As duas ferramentas já somam milhares de vítimas desaparecidas do abalo sísmico ?e grande parte das pessoas que estão sendo procuradas ainda não foram encontradas.
Até a última atualização desse texto, o site Desaparecidos Terremoto Venezuela registrava 45 mil desaparecidos, com 3.125 dentre eles já tendo sido localizados. O Venezuela Te Busca, por sua vez, contabilizava 22 mil desaparecidos.
O regime da Venezuela confirmou que ao menos 188 pessoas morreram e 1.520 ficaram feridas, mas não há um dado oficial sobre desaparecidos. Anunciaram ainda a criação de um fundo de US$ 200 milhões (cerca de R$ 1 bilhão) com recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI) para auxiliar nas buscas e reconstrução de locais afetados.
Diversos países se solidarizaram pelo desastre, inclusive o Brasil, que orientou cidadãos a entrar em contato com a embaixada no país. Segundo um comunicado do presidente Lula, ainda na quarta-feira, o ministério das Relações Exteriores foi instruído a analisar medidas de assistência para o país vizinho.
"Reafirmo nossa determinação em apoiar o governo da presidenta encarregada Delcy Rodríguez na recuperação de áreas afetadas desse país irmão, cujo povo tem dado provas de grande resiliência frente às adversidades.", afirma o comunicado.
De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, entre 10 mil e 100 mil pessoas podem ter morrido em decorrência do desastre. Essa estimativa leva em conta fatores como a vulnerabilidade dos edifícios e a população localizada em áreas mais afetadas, como Caracas e La Guaira.