SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O número de mortos devido aos terremotos que devastaram a Venezuela chegou a 1.430, afirmou Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e irmão da líder interina Delcy Rodríguez. Segundo esse novo balanço, há pelo menos 3.248 feridos e 3.142 pessoas desabrigadas.

O ritmo das atualizações tem sido irregular, e os comunicados vêm de diferentes autoridades do regime. No boletim anterior, divulgado na sexta (26), autoridades falaram em 920 mortos e 4.300 feridos ?este segundo número havia sido divulgado pelo ministro da Saúde venezuelano. À medida que socorristas trabalham nos prédios destruídos, espera-se que a quantidade de vítimas siga aumentando.

O regime restringiu na noite de sexta o acesso ao estado de La Guaira, região costeira que foi a mais atingida e ficou parecendo uma zona de guerra devido à extensão dos danos.

A notícia foi dada pelo ministro do Interior, Diosdado Cabello, que era um aliado próximo do ditador deposto Nicolás Maduro e supervisionava o aparato de repressão do chavismo. Ele disse que a decisão atende a pedidos de moradores de La Guaira e busca evitar que o fluxo de pessoas dificulte o trabalho das equipes de salvamento. Segundo ele, motociclistas voluntários receberão coletes de identificação e serão designados para funções específicas. Apenas pessoas com tarefas previamente definidas poderão entrar no estado.

A oposição venezuelana compartilhou sites criados para registrar desaparecidos ?o número seria de 56 mil pessoas com paradeiro desconhecido. Segundo estimativa do chefe de ajuda humanitária da ONU, há mais de 50 mil desaparecidos.

Socorristas têm trabalhado para resgatar pessoas presas em escombros. A agência de notícias Reuters ouviu moradores reclamarem que a ajuda oficial tarda a chegar nos lugares mais afetados. A população civil montou uma rede de ajuda para enviar suprimentos e auxiliar nas buscas.

O governo do Brasil confirmou dois cidadãos brasileiros entre os mortos, sem entrar em detalhes a respeito de suas identidades. A modelo Vanessa Zacarias da Silva, 44, é uma das duas vítimas, segundo informações compartilhadas por familiares.

O serviço geológico dos Estados Unidos (USGS) estimou pelo menos 10 mil mortos após os tremores ?o número faz parte de uma escala técnica segundo a qual há 42% de chances de que o número total de óbitos fique entre 10 mil e 100 mil.

Equipes de Chile, México, El Salvador, Suíça e Brasil também já desembarcaram no país com socorristas e suprimentos. O regime informou neste sábado (27) que 1.600 integrantes de equipes de resgate estrangeiras chegaram para ajudar nas buscas ?ao menos outras 25 aeronaves com ajuda são esperadas nas próximas horas.

Os órgãos de ajuda humanitária consideram as primeiras 48 a 72 horas um período crucial para resgatar sobreviventes. Esse tempo pode ser estendido caso as vítimas consigam ter acesso a alimentos e água. "Cada pessoa salva é um milagre", disse Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, irmão da líder interina do país, Delcy Rodríguez. "Não vamos esconder absolutamente nada sobre a magnitude desta tragédia."

Delcy afirmou em um pronunciamento na televisão estatal durante a noite de sexta que mais dez países ainda devem se juntar aos esforços de resgate e que 14 mil militares e policiais estão em La Guaira para patrulhar a área e adotar medidas sanitárias.

O regime venezuelano confirmou na sexta que ao menos 250 prédios foram danificados ou destruídos, incluindo oito hospitais e a embaixada da França em Caracas. A ONU estima que cerca de 7 milhões de pessoas, cerca de 25% da população da Venezuela, tenha sido afetada de alguma forma pelo desastre.

As Forças Armadas venezuelanas estão montando hospitais de campanha na região de La Guaira ?conforme anunciado em comunicado oficial? e terão capacidade para realizar cirurgias de emergência. Ainda na quinta, uma equipe da Reuters na cidade viu um comboio militar perto do estádio local realizando operações de ajuda humanitária.

O governo brasileiro, que já havia anunciado o envio de dois aviões da Força Aérea com equipes e materiais de ajuda humanitária, informou que enviará neste sábado uma terceira aeronave "com kits de medicamentos e o módulo complementar para a instalação de um hospital de campanha". Segundo o comunicado, "ao todo, o Brasil enviará cinco kits de calamidade, com total de 111,8 mil medicamentos e insumos à Venezuela".