SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O mineiro Romildo Batista de Lima, 69, é uma das vítimas brasileiras que morreram em decorrência dos terremotos registrados na Venezuela, segundo informações compartilhadas por familiares.

Romildo era pastor, tinha acabado de fazer aniversário e morava em Uberlândia há mais de dez anos. Havia ido à Venezuela para comemorar os 69 anos e vistar a família da esposa, Carlha Nacarid, que nasceu no país.

Quando o tremor começou, os dois foram atingidos por uma parede ao tentar procurar um local seguro. Eles chegaram com vida ao hospital, mas Romildo não resistiu.

O casal só estava em Caracas no momento do tremor para aguardar o voo de volta para o Brasil, que partiria na sexta-feira (26) da capital venezuelana. "Era para ele estar com a gente aqui neste fim de semana", diz Jhulya Ribeiro de Lima, sobrinha de Romildo que conversou com a reportagem.

De acordo com Jhulya, o embaixador brasileiro em Caracas está em contato direto com a família e ajuda a resolver os trâmites legais.

A família organizou uma vaquinha para conseguir trazer o corpo de Romildo volta ao Brasil e também tentar prestar assistência a Carlha, que quebrou a bacia e está imobilizada. "Ela está muito angustiada, o hospital não tem recursos, os itens hospitalares estão escassos. Não tem material para fazer a cirurgia dela", diz Jhulya.

O governo do Brasil confirmou dois cidadãos brasileiros entre os mortos, sem entrar em detalhes a respeito de suas identidades. Além do pastor, a modelo Vanessa Zacarias da Silva, 44, é uma das duas vítimas, segundo informações compartilhadas por familiares.

O Itamaraty não divulga ou confirma informações pessoais de cidadãos que solicitam serviços consulares e tampouco dá detalhes sobre a assistência prestada a brasileiros, em função da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais.

O número de mortos devido aos terremotos que devastaram a Venezuela chegou a 1.430, afirmou Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e irmão da líder interina Delcy Rodríguez neste sábado (27). Segundo esse novo balanço, há pelo menos 3.238 feridos e 3.142 pessoas desabrigadas.

O ritmo das atualizações tem sido irregular, e os comunicados vêm de diferentes autoridades do regime. À medida que socorristas trabalham nos prédios destruídos, espera-se que a quantidade de vítimas siga aumentando.

Além dos brasileiros, também morreram pelo menos nove cidadãos portugueses, além de dois chineses, um ítalo-venezuelano e três espanhóis, de acordo com os respectivos governos. Dos europeus, ainda há ao menos 155 desaparecidos: Portugal relatou o desaparecimento de 56 cidadãos, e Espanha, de 99.

O serviço geológico dos Estados Unidos (USGS) estimou pelo menos 10 mil mortos após os tremores --o número faz parte de uma escala técnica segundo a qual há 42% de chances de que o número total de óbitos fique entre 10 mil e 100 mil.

A oposição venezuelana compartilhou sites criados para registrar desaparecidos --o número seria de 56 mil pessoas com paradeiro desconhecido. Segundo estimativa do chefe de ajuda humanitária da ONU, há mais de 50 mil desaparecidos.

Equipes de Chile, México, El Salvador, Suíça e Brasil também já desembarcaram no país com socorristas e suprimentos. O regime informou neste sábado que 1.600 integrantes de equipes de resgate estrangeiras chegaram para ajudar nas buscas --ao menos outras 25 aeronaves com ajuda são esperadas.

O governo brasileiro, que já havia anunciado o envio de dois aviões da Força Aérea com equipes e materiais de ajuda humanitária, informou que enviará neste sábado uma terceira aeronave "com kits de medicamentos e o módulo complementar para a instalação de um hospital de campanha". Segundo o comunicado, "ao todo, o Brasil enviará cinco kits de calamidade, com total de 111,8 mil medicamentos e insumos à Venezuela".