SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O Irã diz ter atacado bases militares dos Estados Unidos no Kuwait e no Bahrein, em mais um capítulo da escalada recente entre os dois países.

A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) afirmou neste sábado (27) que lançou mísseis e drones contra instalações militares americanas no Kuwait e no Bahrein. O grupo apresentou a ofensiva como resposta a ações militares recentes dos EUA contra o Irã e disse que a operação envolveu forças navais e aeroespaciais.

Autoridades americanas disseram não ter registrado baixas nem danos relevantes nas bases atingidas. Um funcionário dos EUA afirmou à Reuters que não houve vítimas e que as instalações na região do Golfo Pérsico tiveram poucos prejuízos.

IRGC acusou Washington de violar o cessar-fogo e afirmou que os ataques dos EUA vão travar negociações. Em comunicado, o grupo disse que as ações americanas "resultarão na completa paralisação de todos os processos diplomáticos".

Bahrein e Kuwait relataram movimentação de drones e interceptações no próprio território. O Ministério do Exterior do Bahrein classificou a operação como "flagrante violação da soberania do Bahrein", enquanto o Exército do Kuwait afirmou que "Quaisquer explosões que possam ser ouvidas são resultado da interceptação de alvos hostis por sistemas de defesa aérea".

NOVOS ATAQUES PERTO DO ESTREITO DE HORMUZ

Comando Central dos EUA (Centcom) informou que as Forças Armadas americanas fizeram novos ataques contra alvos iranianos nas imediações do Estreito de Hormuz. A nota diz que a operação cumpriu ordens do presidente Donald Trump e foi uma "resposta direta à contínua agressão iraniana".

Centcom afirmou que a ação ocorreu após um drone iraniano atingir um petroleiro de bandeira panamenha na manhã deste sábado. Os EUA disseram ter atacado infraestrutura de vigilância militar, sistemas de comunicação, locais de defesa aérea, instalações de armazenamento de drones e capacidades de lançamento de minas.

Exército americano disse esperar que o tráfego de embarcações comerciais pelo Estreito de Hormuz siga normalmente. A região é um ponto estratégico para o transporte de petróleo e gás, e os ataques elevam o risco de interrupções na rota.

EUA sustentam que o Irã rompeu um acordo de cessar-fogo ao atacar uma embarcação com drones. Segundo o relato divulgado, os dois países fizeram uma primeira tratativa em 7 de abril e reforçaram o entendimento com um acordo de 14 pontos em 17 de junho.

Donald Trump voltou a ameaçar o Irã ao falar sobre uma possível ampliação do confronto. "Pode chegar um momento em que não seremos mais capazes de ser razoáveis e seremos forçados a concluir militarmente o trabalho que começamos com tanto sucesso. Se isso acontecer, a República Islâmica do Irã deixará de existir", disse.