SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Dias após os terremotos gêmeos que atingiram a Venezuela em 24 de junho, o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) estima que 1,8 milhão de pessoas, entre elas 680 mil crianças, precisem de assistência humanitária no país. Até a tarde desta segunda, o regime venezuelano havia confirmado ao menos 1.450 mortes e 3.150 feridos. E mais de 50 mil são considerados desaparecidos.

Diante da dimensão da tragédia, a organização iniciou uma campanha de arrecadação de recursos no Brasil para financiar a resposta emergencial. As doações podem ser feitas pelo site do Unicef ou por Pix, com a chave emergencia@unicef.org.

Os terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, configuram um dos eventos sísmicos mais destrutivos na Venezuela em toda a história. Uma análise preliminar feita por satélite mostrou que quase um terço dos edifícios de Catia La Mar, no estado de La Guaira, a área mais atingida, apresenta algum tipo de dano.

Segundo o representante do Unicef na Venezuela, Manuel Rodríguez Pumarol, as necessidades da população vêm se tornando mais evidentes à medida que avançam as operações de resposta.

"Após três dias de resposta, a dimensão das necessidades começa a ficar mais clara. Os hospitais estão operando acima de sua capacidade, milhares de crianças não têm acesso confiável à água potável e muitas escolas sofreram danos", afirmou ele. "O Unicef está trabalhando em conjunto com o governo da Venezuela e seus parceiros para ampliar o apoio às crianças e suas famílias, e será fundamental contar com financiamento contínuo para sustentar essa resposta nas próximas semanas."

Os impactos atingiram os serviços essenciais. Hospitais de Caracas e dos estados de La Guaira, Carabobo, Aragua e Falcón sofreram graves danos, deixando algumas unidades em situação crítica e comprometendo o atendimento, incluindo de crianças e mulheres grávidas, segundo o Unicef.

A educação também foi afetada. Apenas no Distrito Capital (que forma parte de Caracas), dados preliminares indicam que 432 escolas, mais de um terço das unidades da região, também foram danificadas, dificultando a continuidade das aulas, ainda de acordo com a organização.

A expectativa é que esse número aumente à medida que novas avaliações sejam concluídas em outros estados. Enquanto isso, as autoridades venezuelanas estão adaptando as escolas que permaneceram intactas para receber famílias que perderam suas casas.

Para enfrentar a emergência, o Unicef calcula que serão necessários US$ 52 milhões, valor que integra o orçamento mais amplo da Ação Humanitária para a Infância 2026 na Venezuela, estimado em US$ 137,6 milhões.

A organização diz ter destinado cerca de US$ 3,5 milhões de seus próprios fundos emergenciais para viabilizar o envio inicial de equipes e suprimentos.