Vendas triplicadas Enquanto Astransp está fechada para venda de vales, comércio paralelo lucra com congelamento de preço à R$1,55

Fernanda Leonel
Repórter
07/02/2007

Desde o início do mês, o consumidor está um pouco perdido sobre o preço da passagem que vai pagar ao entrar no ônibus. Primeiro o reajuste, depois a suspensão dele e agora a notícia de que através de uma segunda liminar concedida pela juíza Maria Cecília Gollner, o valor congelado em R$1,55 passa a valer por tempo indeterminado.

No entanto, enquanto o valor do vale diminui, o "papel vale-transporte" está sumindo do mapa. A Astransp está de portas fechadas para a compra e venda do bilhete.

Segundo a empresa, enquanto não sair a decisão final da justiça, que nos próximos dias define se o aumento no valor da passagem é abusivo ou não, ela não pode vender vales-transportes com o valor antigo para seus usuários.

Se a Astransp não vende vales, o consumidor que não quer ou não gosta de andar com dinheiro na mão, está recorrendo a outra opção: o comércio paralelo de vales que já é conhecido em vários pontos do centro da cidade.

Observando de longe, é possível afirmar que em certos momentos do dia, como no horário pique de 18h30, os vendedores estão enfrentando até mesmo uma pequena fila de "clientes". "Nós só não estamos vendendo mais, porque o vale está sumindo. A procura pelos nossos vales triplicou, pena que o papel já não está sendo encontrado mais", afirmou a vendedora Cristiane de Souza (foto).

Para Cristiane, que trabalha no ramo há mais de quatro anos, a situação de incerteza quanto ao preço da passagem nunca foi tão grande para os consumidores, pelo menos no tempo que ela vende passagens.

"As pessoas estão com medo de comprar o vale de R$1,75 e ter prejuízo depois, por ficar com esse vale que é mais caro na mão. Aí vêm até aqui, para poder ver se encontram o de R$1,55 e sempre reclamam, falando que essa situação de não vender vales é ruim, porque elas precisam se programar, distribuir vales para as empregadas domésticas e tal", reforçou Cristiane.

Situação das Empresas

E pelo visto, não são só os cidadãos que estão indo atrás do comércio paralelo. Os vendedores da esquina da Batista da Oliveira com Rua Halfeld afirmaram que alguns empresários também os procuram para tentar não ter prejuízo com as empresas.

Na verdade, com a Anstransp fechada para vales, as empresas parecem mesmo ser as mais prejudicadas, já que compraram quantidades altas de vales pelo preço reajustado. Questionada sobre a situação das empresas, a Astranp informou que não tem como operacionalizar posição diferente da que está sendo realizada.

A assessoria informou que caso as empresas queiram se ressarcir dos dias em que o valor de R$1,55 está em vigor, devem combinar com seus empregados, porque não vai acontecer devolução do dinheiro sob os vales de R$1,75.

Para quem pretende comprar vales de uso superior ao necessário até o fim da validade de alguma das liminares, o Ministério Público aconselha que seja exigida a nota fiscal. A medida pode garantir a devolução da diferença, caso seja comprovado aumento abusivo, que deve ser investigado nos próximos dias.

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