SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Um homem de 49 anos foi preso em Cavalcante, no sertão de Goiás, acusado de abusar sexualmente de duas crianças, de 6 e 10 anos, netas de sua companheira. A mais velha foi a primeira a contar para a mãe sobre o comportamento do suspeito, revelando vir sofrendo abusos desde os 4 anos.

Encorajada pela atitude da irmã, a menina de 6 anos também resolveu contar à mãe o tipo de atos libidinosos que o homem praticava com ela. A mãe chegou a gravar o depoimento das crianças, pois não acreditava ser verdade o que relatavam.

O pai das meninas, que é separado da esposa, foi procurado assim que a mãe das meninas se deu conta de que as crianças poderiam estar dizendo a verdade. Ele também gravou em vídeo o depoimento das meninas.

"Elas disseram que não contavam aos pais o que estava acontecendo porque tinham medo de que eles não acreditassem nelas", disse à reportagem o delegado Adriano Jaime, responsável pelo inquérito que apura a culpabilidade do suspeito pelo crime de estupro de vulnerável, com continuidade.

O homem convive com a avó das meninas há 20 anos. Ele as viu nascer e acompanhou o crescimento. Bem-sucedido financeiramente, ele é dono de imóveis e carros de luxo. O homem teve a prisão provisória decretada nesta terça-feira (20). Segundo o delegado, há provas e indícios que o levam a concluir, juridicamente, que ele seria mesmo culpado pelos crimes.

"Depois que a mãe tomou ciência do que acontecia, ela passou a vasculhar as coisas da menina mais velha, inclusive os desenhos que fazia e depois jogava fora. Foi quando se deparou com o primeiro desenho em que a menina ilustrava um homem tocando em sua área genital".

Jaime disse que o depoimento das meninas foi colhido "sem dano". Ou seja, foi registrado em áudio e vídeo, com o acompanhamento de um psicólogo, para não precisarem mais repetir a história em novas oitivas. A preocupação dele, desde o início das investigações, é o de resguardar a integridade e a saúde mental e emocional das crianças.

"Cavalcante é uma cidade muito pequena, não seria justo com essas crianças que elas se tornassem estigmatizadas por algo que sequer compreendem direito", afirmou. "Agora elas serão submetidas ao exame pericial e ouviremos a avó e o autor dos delitos", explicou o delegado.