SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Um motorista de aplicativo de 38 anos foi preso suspeito de abusar sexualmente de uma passageira de 21 anos e roubar outra passageira, de 17 anos, em rotas atendidas por ele na zona leste de São Paulo. Segundo a polícia, ele rendeu as jovens com uma faca.

A jovem de 21 anos desconfiou quando o motorista desviou do caminho que deveria fazer para levá-la ao destino e compartilhou sua localização com a família. Ela disse à polícia que não teve tempo de reagir, pular do carro e fugir porque o homem, o tempo todo, a ameaçava com uma faca. Segundo imagem divulgada pela PM, uma faca multiuso, de cabo plástico.

Munidos da localização da jovem, os parentes acionaram a PM, que prendeu o motorista no momento em que ele saía com a passageira de um motel, na noite desta terça-feira (23). Ela contou aos agentes que o motorista desviou a rota da viagem para o motel e usou a faca para ameaçá-la e obrigá-la a fazer sexo com ele.

Ainda segundo a vítima, o tentou usar o celular dela para fazer transferências bancárias para a conta dele.

"Eu estava indo fazer um procedimento estético e só tem um endereço possível da minha residência até o local. Assim que ele desviou do trajeto, que ele parou o carro, eu percebi que havia alguma coisa estranha, mas aí não deu tempo de pular do carro, nem de fazer qualquer outra coisa", afirmou a vítima, em depoimento à TV Record. "Ele o tempo todo ameaçava que se eu tentasse alguma coisa, ia ficar ruim para mim".

A mesma faca usada pelo suspeito teria sido usada para render outra vítima, uma adolescente de 17 anos, que já tinha feito uma denúncia ao 190 algumas horas antes de o motorista levar a outra jovem ao motel.

Ele foi o motorista que aceitou pegá-la no Shopping Anália Franco. Segundo a polícia, a menina, porém, notou que o homem tinha um comportamento estranho e mudou o trajeto do caminho. Desconfiada, ela abriu a janela e pulou do carro do motorista. Sacolas de compra dela foram encontradas no carro do suspeito, que já se encontra em poder da polícia.

"Ele se aproveitava do serviço que prestava para cometer os ilícitos", afirmou à TV Record o sargento PM Rafael Martins, que atendeu à ocorrência. "Realizamos a abordagem do veículo e ele desceu e disse que era motorista da Uber. Porém, ao abrirmos a porta de trás, visualizamos a vítima, em estado de choque", declarou o sargento, acrescentando que ela ainda denunciou o homem por tentar fazer transferências bancárias com o celular dela, além de ter abusado sexualmente no quarto de motel".

Em nota, a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo) informou que o homem foi detido sob as acusações de estupro, extorsão e roubo na madrugada desta quarta-feira (23), em Ermelino Matarazzo, na zona leste de São Paulo.

"A vítima, de 21 anos, foi localizada dentro do veículo do motorista de aplicativo e encaminhada ao Hospital da Mulher, na região central da Capital. A outra vítima do roubo praticado pelo autor na noite de ontem (22), uma adolescente de 17 anos, teve os pertences restituídos", informou o órgão.

O caso foi registrado pelo 24º Distrito Policial (Ponte Rasa), que representou pela prisão preventiva do indiciado à Justiça e solicitou perícia. Segundo a SSP, outros detalhes serão preservados "em razão da natureza da ocorrência". O nome do suspeito não foi divulgado.

O QUE DIZ A UBER

A Uber, em nota, informou que o motorista teve sua conta desativada da plataforma assim que a empresa tomou conhecimento do episódio. E se colocou à disposição para colaborar com as autoridades no curso das investigações.

"A Uber repudia qualquer tipo de comportamento abusivo contra mulheres e acredita na importância de combater e denunciar casos de assédio e violência. A Uber defende que as mulheres têm o direito de ir e vir da maneira que quiserem e têm o direito de fazer isso em um ambiente seguro", afirma a empresa.

"Por isso, desde 2018 a Uber mantém o compromisso de participar ativamente do enfrentamento da violência contra a mulher e segue investindo constantemente em conteúdos educativos contra o assédio para motoristas", afirma a companhia, destacando ainda o investimento em ferramentas como o compartilhamento de localização, gravação de áudio, detecção de linguagem imprópria no chat e o botão de ligar para a polícia, entre outros.