SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - São pessoas comuns, contratadas ou amigadas, as responsáveis por botar ordem no Carnaval de rua. Os cordistas separam o núcleo do bloco, onde está o trio elétrico ou a banda, do povão.

Para realizar o trabalho, precisam de paciência, força e resiliência.

Dos foliões, recebem empurrões e são alvo de xingamentos. Dos organizadores dos eventos, vêm broncas -são chamados de lerdos e desatentos, por exemplo.

A reportagem enfrentou a labuta por duas horas na manhã desta segunda-feira (12), no bloco Espetacular Charanga do França, no centro de São Paulo.

Ao lado de outros voluntários, formou-se uma barreira ao redor dos instrumentistas. Muitos só estavam ali a fim de evitar o tumulto. Outros pareciam cães farejando possíveis problemas.

O incômodo era evidente, assim como a exaustão. "Segurar uma corda com um calor desse é para os fortes", disse Pedro Bertollo, 33, um dos mais empenhados na tarefa.

Mais que preparo físico, habilidades sociais são primordiais para os envolvidos. Indivíduos tentam argumentar de diversas formas para entrar no cordão ou utilizá-lo como meio para o lado oposto do bloco. Ao serem repreendidos, foliões agem com ignorância, despejando palavrões e até ameaças. Manter a calma é a única solução.

Em meio a tantas preocupações, é impossível curtir a festa.

A pior parte da empreitada, porém, ocorre quando surge uma curva no trajeto. Os cordistas precisam armar estratégias para efetuar a manobra enquanto mantêm o formato do espaço delimitado.

É tenso. Falatório e preocupação dominam. As advertências atingem seu ápice. Suor escorre por todo o corpo.

Foi em uma dessas sinuosidades, das mais caóticas, que a reportagem fugiu do cordão.


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