BRASÍLIA, DF (FOLHAPESS) - O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que a formação do ministério do presidente Lula (PT) fez com que a Câmara ficasse sub-representada e disse que o governo ainda tem como mudar "o rumo dessas escolhas e equilibrar esse jogo".

Em entrevista à CNN Brasil na manhã desta segunda-feira (5), o presidente da Casa foi questionado se o presidente da República tinha errado na maneira em que organizou a divisão de seus ministérios.

"A montagem e o estilo de se fazer uma base são próprios de cada governo. Nunca defendi o governo de coalizão com o Legislativo ocupando espaço, nem partidários nem pessoais, mas isso é da opção de cada governo. Se foi feito certo ou feito errado, a situação que a gente vive hoje fala por si."

O presidente da Câmara afirmou que o presidente montou seu ministério de uma maneira para atender, principalmente, ex-governadores que foram eleitos para o Senado.

"Tentando ali ocupar talvez numa capacidade mais administrativa da experiência de cada um. Mas fato é que a Câmara ficou nessa situação sub-representada. Ou representada por decisões que não pertenceram diretamente aos partidos", disse Lira.

"Se o governo escolheu essa maneira, lógico, ele vai ter como mudar o rumo dessas escolhas e equilibrar esse jogo para que ele tenha maior conforto", seguiu o parlamentar.

Ainda na entrevista, Lira disse que em sua conversa mais cedo com o presidente Lula "ninguém tratou" de uma possível reforma ministerial do governo. "O presidente sequer aventou sobre essa possibilidade, eu não tratei de ministérios, não tratei de liberação de emendas nem liberação de espaços."

"Penso que o alerta que foi feito [sobre] as dificuldades que houve na semana passada foram um bom recado para que o governo possa recompor o seu rumo", disse Lira.

O Planalto e a Câmara dos Deputados viveram dias tensos na semana passada, com a ameaçada da derrubada da medida provisória que reestrutura a Esplanada dos Ministérios. O texto depois foi aprovado, mas em meio a ataques contra a articulação política e pedidos de mudanças nos ministérios.

Às vésperas da votação do texto, Lira falou em uma "insatisfação generalizada".

"O problema não é da Câmara, não é do Congresso. O problema está no governo, na falta ou na ausência de articulação", disse Lira. "Há uma insatisfação generalizada dos deputados e talvez dos senadores com a falta de articulação política do governo, não de um ou outro ministro", completou.

Quase seis meses após tomar posse, Lula assistiu nos últimos dias à demonstração mais contundente de insatisfação da Câmara dos Deputados com o governo e correu o risco de ver boa parte do desenho que fez para os seus ministérios ser apagada.

Na avaliação de parlamentares ouvidos pela reportagem, esse momento pode ter representado um divisor de águas na relação do governo com a Câmara. Os próximos passos, segundo deputados e integrantes do governo, definirão a relação que Lula terá com Lira.

O Palácio do Planalto sabe que hoje não tem votos suficientes para aprovar medidas de interesse sem a influência do presidente da Câmara. Segundo Lira e o próprio Lula, o Planalto tem asseguradas cerca de 130 de 513 cadeiras no plenário ?embora a base com partidos que integram o governo seja maior.

De agora em diante, avaliam deputados, Lula terá de agir para reparar as arestas em sua articulação política e dar celeridade à liberação de emendas e nomeações de cargos regionais ?as duas principais demandas dos congressistas? sob pena de sofrer mais derrotas na Casa.

Para além disso, um pedido recorrente de parlamentares é por prestígio e para que Lira seja mais empoderado.

Isso significa também abrir espaço na máquina federal para outras legendas, como PP, Republicanos e até o PL, que apoiaram a reeleição de Jair Bolsonaro (PL) em 2022 ?alguns no primeiro, outros no segundo escalão.


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