SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Manifestantes se reuniram, na tarde desta quinta-feira (8), no salão nobre da Faculdade de Direito da USP, no centro de São Paulo, em protesto contra o PL da Dosimetria, vetado mais cedo pelo presidente Lula (PT), em uma cerimônia no Palácio do Planalto. Os atos aconteceram na data em que se completaram três anos da invasão à sede dos três Poderes, em 2023.

Em dado momento, um grupo alinhado à direita entrou no salão, causando um princípio de tumulto no local. A confusão continuou do lado de fora, onde militantes de direita e esquerda trocaram socos. O ex-deputado estadual bolsonarista Douglas Garcia (União Brasil), entrou em confronto com ativistas de esquerda, ao lado do vereador Rubinho Nunes (União Brasil) e sua equipe.

Segundo relatos de participantes do ato, o ex-deputado estava abordando militantes para provocá-los, no segundo andar do salão nobre. Foi então que o tumulto começou. Policiais apenas acompanharam a confusão, sem intervir.

O ato no largo de São Francisco tinha sido convocado pelo PT-SP, o Centro Acadêmico XI de Agosto e o grupo Prerrogativas. Ao todo, 40 entidades participaram do ato e organizaram um manifesto, cujo texto defende que a data seja vista como um dia de vitória da democracia brasileira.

Entre os mais de 200 signatários do documento, estão o coordenador do Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho, a senadora Teresa Leitão (PT-PE), além do advogado Pierpaolo Bottini. O texto diz ser necessário criar uma memória do 8 de Janeiro.

"O dia demarca, primeiramente, uma festa cívica histórica em defesa da democracia. Deve, porém, ser também uma data na qual todos nós, brasileiras e brasileiros, redobremos as atenções diante de toda e qualquer ameaça interna ou externa ao Estado democrático de Direito brasileiro e à nossa soberania nacional", afirma o documento.

Os manifestantes que estiveram no largo de São Francisco reiteraram, assim, posição contrária a iniciativas para perdoar ou mesmo minimizar as penas dos condenados pela trama golpista. Eles bradavam a todo instante "sem anistia" e pediam para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tirar as mãos da América Latina ("Se cuida imperialista, a América Latina vai ser toda socialista", entoaram os presentes.)

Conhecido por suas posições à esquerda, o ator Paulo Betti foi o mestre de cerimônias. "Não podemos permitir que a direita derrube o veto do PL da Dosimetria e para isso temos que nos preocupar a eleger deputados e senadores que tenham compromisso com a democracia do Brasil", disse ele, na tribuna.

Além dele; estiveram presentes José Genoíno, ex-presidente do PT, que foi ovacionado pela militância, e o deputado federal Ricardo Galvão (Rede), ex-diretor do Inpe durante o governo Jair Bolsonaro.

"Precisamos lembrar a necessidade de derrotar uma classe dominante corrupta, entreguista e autoritária", disse Genoíno. "Por isso, temos que lutar para derrotar o projeto da dosimetria e exigir a liberdade de Nicolás Maduro e Cília Florez. Nós estamos em uma encruzilhada, essa encruzilhada tem de ser decidida nas ruas e não apenas nos palacios."

Aprovado pelo Congresso, o PL da Dosimetria poderia beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso na sede da Polícia Federal, em Brasília.