SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O presidente do CFM (Conselho Federal de Medicina), José Hiran da Silva Gallo, negou ao STF (Supremo Tribunal Federal) qualquer intenção de intervir na execução da pena do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em ofício ao ministro Alexandre de Moraes, Gallo afirmou que "jamais pretendeu exercer qualquer competência correicional em relação à Polícia Federal".

A manifestação ocorreu após o magistrado anular sindicância aberta pelo CFM para apurar as condições de atendimento médico a Bolsonaro e determinar que Gallo prestasse depoimento à PF em até dez dias.

No ofício desta sexta, o presidente do conselho disse que os esclarecimentos prestados no ofício "evidenciam a inexistência de justa causa" para a oitiva.

O órgão afirmou ainda que cumpriu a decisão judicial, mas disse que a sindicância resguarda a atuação dos médicos e assegura a regularidade da atuação dos próprios órgãos públicos envolvidos.

O conselho declarou ter recebido mais de 40 denúncias formais sobre possível falta de atendimento a Bolsonaro e disse que as queixas "expressam inquietação quanto à garantia de assistência médica adequada" ao ex-presidente.

"O Conselho Federal de Medicina adotou o procedimento previsto na legislação de regência, promovendo os encaminhamentos administrativos cabíveis, sempre sem qualquer juízo antecipado sobre os fatos", afirmou o CFM ao ministro.

O órgão também declarou ter "compromisso permanente com a observância das determinações emanadas do Poder Judiciário, em consonância com o princípio da harmonia entre os Poderes da República".

Bolsonaro foi ao hospital na quarta para exames após uma queda, mas retornou no dia seguinte à prisão na Superintendência da Polícia Federal de Brasília.

Segundo o boletim médico do hospital DF Star, os exames de imagem evidenciaram "leve densificação de partes moles na região frontal e temporal direita, decorrente do trauma, sem necessidade de intervenção terapêutica".