BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), transferiu o ex-presidente Jair Bolsonaro, que estava preso na superintendência da PF (Polícia Federal) em Brasília, para o 19º Batalhão da Polícia Militar, área conhecida como Papudinha.
O ministro também determinou que Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pela tentativa de golpe de Estado, seja submetido imediatamente à junta médica oficial, composta por médicos da PF, para avaliação do seu quadro clínico de saúde. Depois disso, Moraes vai avaliar se concede ou não a prisão domiciliar requerida pela defesa.
Apesar de ter transferido Bolsonaro para instalações mais amplas, o relator da investigação sobre a trama golpista disse que o cumprimento da pena não é uma "estadia hoteleira" ou uma "colônia de férias" -e rebateu as críticas dos filhos do ex-presidente sobre as condições da sala de Estado Maior da PF.
Segundo o ministro, os familiares de Bolsonaro fazem "uma campanha de notícias fraudulentas com o intuito de tentar desqualificar e deslegitimar o Poder Judiciário", ignorando que a sala da PF tem o dobro do tamanho mínimo previsto em lei, banheiro exclusivo, frigobar, televisão e ar condicionado - benesses que "não existem para os demais 384.586 presos em regime fechado no Brasil".
"Mentirosa e lamentavelmente, vem ocorrendo uma sistemática tentativa de deslegitimar o regular e legal cumprimento da pena privativa de liberdade de Jair Messias Bolsonaro, que vem ocorrendo com absoluto respeito à dignidade da pessoa humana e em condições extremamente favoráveis em relação ao restante do sistema penitenciário brasileiro", escreveu.
Moraes citou entrevistas concedidas pelo senador Flávio Bolsonaro em que ele compara a carceragem da PF a um cativeiro, desconfia da origem da comida, reclama do horário das visitas e até mesmo diz que Bolsonaro está "trancado na chave".
O ministro também cita publicações do ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro com críticas à carceragem da PF e diz que o filho do ex-presidente "ignora por completo a real situação do sistema carcerário brasileiro".
"Carlos Bolsonaro pretendia ter o direito de entrar e sair da Sala de Estado Maior da Superintendência da Polícia Federal para visitar o preso quando bem entendesse, sem respeito às regras básicas da prisão em regime fechado, demonstrando total desconhecimento da legislação de execução penal."
Em relação ao barulho do gerador alegado pela defesa como fator de incômodo ao ex-presidente, Moraes disse que não procede a existência de "ruído contínuo e permanente", uma vez que a PF informou que o aparelho fica desligado entre as 19h e as 7h30.
Nas novas instalações, Bolsonaro continuará tendo direito a assistência médica 24 horas e às visitas de seus médicos sem necessidade de aval prévio. Também vai seguir fazendo as sessões de fisioterapia e recebendo alimentação especial.
Moraes disse na decisão que Bolsonaro ficará em uma sala "com condições ainda mais favoráveis, igulamente exclusiva e com total isolamento em relação aos demais presos do complexo". A cela comporta quatro pessoas, mas será usada apenas para o ex-presidente.
O ministro citou características do local, afirmando que a unidade possui área total de 64,83 metros quadrados, sendo 54,76 cobertos, e que a infraestrutura inclui "banheiro, cozinha, lavandeira, quarto, sala e área externa". Também citou "cozinha com possibilidade de preparo e armazenamento de alimentos, banheiro com chuveiro com água quente, geladeira, armários, cama de casal e TV."