BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Após farpas e indiretas públicas entre lideranças da direita nos últimos dias, o senador e candidato declarado à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), publicou um vídeo neste sábado pedindo união em seu campo político.
"Como a gente vai conseguir unir o Brasil se a gente não consegue unir a direita antes? Não caia em pilha errada", disse.
Na postagem, Flávio elogiou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e elogiou os também governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil).
O filho de Jair Bolsonaro também convocou seus seguidores a fazer críticas ao governo Lula (PT) nas redes sociais e voltou a defender seu pai, preso por tentativa de golpe de Estado.
Nos últimos dias, a transferência de Bolsonaro da sede da Polícia Federal para a chamada Papudinha expôs uma divisão entre seus apoiadores e resultou em embate público entre aliados de Flávio e de Tarcísio.
Na sexta (16), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro pediu a aliados que não a julgassem, em mensagem publicada no dia em que foi revelada a conversa entre ela e o ministro do STF Alexandre de Moraes horas antes de o marido ser enviado para a unidade prisional.
"Ainda que hoje as instalações do complexo sejam menos prejudiciais à sua saúde [de Bolsonaro] e lhe tragam mais dignidade, continuaremos lutando para levá-lo para casa", declarou.
No vídeo publicao neste sábado, Flávio pediu calma aos eleitores da direita e disse que um palanque conjunto dele com Michelle, Tarcísio, Ratinho Jr (PSD, governador do Paraná), Romeu Zema (Novo, governador de Minas Gerais) e Ronaldo Caiado (União, governador de Goiás) vai acontecer "no momento certo".
"O Tarcísio é um aliado fundamental, a Michelle tem um papel importantíssimo", afirmou.
Ele ainda pediu que seus eleitores não ataquem um ou outro político, e que isso fortalece a esquerda.
"Vamos colocar nossas diferenças menores um pouco de lado. Vamos focar naquilo que nos une", completou.
Embates no bolsonarismo
O bolsonarismo vive uma série de embates públicos especialmente desde que o ex-presidente foi colocado em prisão domiciliar, em agosto do ano passado.
Após ele escolher Flávio para ser candidato a Presidência em 2026, lideranças da direita têm alternado entre frases de apoio a ele ou de crítica e defesa de outros nomes, principalmente o de Tarcísio.
Na última quarta-feira (14), por exemplo, Michelle publicou um vídeo do governador para defendê-lo das cobranças de bolsonaristas por um apoio mais incisivo à empreitada presidencial de Flávio.
No dia seguinte, quinta (15), o senador foi questionado sobre a possibilidade de Michelle concorrer ao Planalto após as movimentações públicas dela e a alfinetou na resposta, dizendo que ele jamais trabalhou para ser candidato.
"Eu nunca costurei, nunca procurei, não rodei o Brasil por isso. Não corri atrás de ser pré-candidato", disse. Michelle fez diversas viagens pelo Brasil à frente do PL Mulher --do qual se licenciou pouco depois do anúncio da candidatura de Flávio.
Ao mesmo tempo, Tarcísio publicou um vídeo com críticas ao PT, e sua esposa, Cristiane, comentou o post dizendo que o Brasil precisa "de um novo CEO, meu marido", no que foi avaliado como uma aceno à campanha ao Planalto e críticas a Flávio.
Dias depois, o governador de São Paulo minimizou e disse que "nunca teve esse projeto" de concorrer à Presidência, e que quer buscar a reeleição no estado.
"O Flávio é um grande nome, já falei que ele é meu candidato, que vai ter o nosso apoio", completou.