BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Polícia Federal cumpriu nesta quarta-feira (25) mandado de busca e apreensão e instalação de tornozeleira eletrônica contra mais um suspeito de participar do vazamento de dados de integrantes do STF (Supremo Tribunal Federal) e de seus parentes.
A determinação foi feita pelo ministro Alexandre de Moraes, que é responsável por supervisionar a investigação.
O mandado foi cumprido em relação a uma pessoa do Rio de Janeiro. Moraes já havia determinado as mesmas medidas contra um servidor do Serpro (empresa estatal de processamento de dados) cedido à Receita Federal e contra um vigilante do prédio do Fisco.
No último dia 17, a PF deflagrou uma operação contra quatro pessoas que teriam acessado dados de ministros. Uma delas era o servidor do Serpro, Luiz Antônio Martins Nunes.
Havia indícios de que ele acessou irregularmente os sistemas do Fisco e repassou a terceiros dados sigilosos de autoridades e de familiares. A reportagem não localizou a defesa de Nunes.
Os demais alvos foram os técnicos Luciano Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos e o auditor Ricardo Mansano de Moraes.
Nota do STF na ocasião afirmou que houve "bloco de acessos cuja análise, pelas áreas responsáveis, não identificou justificativa funcional".
Dois dias depois, no dia 19, um vigilante da Receita foi alvo das mesmas medidas. Seu nome não foi divulgado.
Ruth Machado dos Santos, que é agente administrativa, é suspeita de acessar dados fiscais de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF. Ela afirmou em depoimento à Polícia Federal que estava em um atendimento presencial no momento em que as informações foram acessadas.
Já Mansano é suspeito de acessar os dados de uma ex-enteada do ministro Gilmar Mendes, filha da advogada Guiomar Feitosa. Ele estava em um cargo na chefia de Gestão do Crédito Tributário e do Direito Creditório, em Presidente Prudente (SP), e foi retirado do posto.
Segundo pessoas que acompanham as apurações, ele acessou dados de ao menos dois anos da ex-enteada de Gilmar, de 2008 e de 2024.
Sua defesa tem dito que ele é um "profissional de reputação ilibada que, ao longo de anos de atuação junto à Receita Federal do Brasil, jamais respondeu a qualquer falta funcional".
Disse ainda que os fatos "serão devidamente esclarecidos e a verdade prevalecerá" e que não obteve acesso integral às acusações e aos elementos de investigação.