BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Após o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), negar um novo pedido de prisão domiciliar para Jair Bolsonaro (PL), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, foi inscrito como advogado do ex-presidente no processo da trama golpista.

O pedido foi feito pelos demais defensores do ex-presidente e dá a Flávio livre acesso ao pai, preso na Papudinha, em Brasília.

Como filho de Jair Bolsonaro, Flávio tinha uma autorização do ministro Alexandre de Moraes para visitá-lo em dias e horários determinados, sem a necessidade de um aval específico para cada ocasião.

Agora, como advogado da defesa, Flávio vai poder ampliar o contato com Bolsonaro, o que é considerado crucial por integrantes do PL. O ex-presidente é responsável por definir quais nomes vão disputar o Senado pelo bolsonarismo, e a cúpula do PL começou a discutir, na semana passada, os palanques de Flávio estado a estado.

Segundo integrantes do partido, o isolamento de Bolsonaro na prisão e a proibição de que ele tenha contato com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, prejudicam a estratégia eleitoral do partido. Por isso, a comunicação com Flávio poderia mitigar essa desvantagem.

Bolsonaro foi condenado pelo STF, em setembro passado, a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ele completou seis meses de prisão em busca de uma transferência para a prisão domiciliar, que foi negada por Moraes nesta segunda-feira.

De acordo com o magistrado, os problemas de saúde do ex-presidente podem ser monitorados e tratados no local onde ele está preso. A Papudinha dispõe de assistência médica 24 horas, unidade avançada do Samu e livre acesso para a equipe médica de Bolsonaro.

O ex-presidente ficou detido em casa, em Brasília, de agosto passado até novembro, quando foi preso preventivamente após danificar a tornozeleira eletrônica que era obrigado a usar. Em janeiro, ele deixou a superintendência da Polícia Federal em Brasília e foi transferido para a Papudinha -como é conhecido o 19º Batalhão da Polícia Militar do DF.

Foi nesse período afastado da militância das ruas e dos políticos do seu campo que Bolsonaro, inelegível por decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) desde 2023, consolidou a indicação de Flávio como seu sucessor político nas eleições presidenciais deste ano, contrariando a torcida do centrão e do mercado financeiro pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Aliados do ex-presidente afirmam que sua prisão, a deterioração de sua saúde e a dificuldade de obter a prisão domiciliar influenciaram na decisão de optar por alguém do clã Bolsonaro, na tentativa de manter a relevância política e o espólio eleitoral da família.