SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A ANJ (Associação Nacional de Jornais) e a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) afirmam que o plano de agredir o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, constitui um ataque ao Estado de Direito e à liberdade de expressão.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso preventivamente nesta quarta-feira (4) por ordem do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), após investigação da Polícia Federal encontrar em seu celular mensagens que citam a intenção de forjar um assalto ao jornalista como forma de intimidação.

"Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto", diz mensagem atribuída a Vorcaro. A defesa do ex-banqueiro negou, em nota, "alegações atribuídas a ele".

A coluna de Lauro Jardim em O Globo revelou a viagem do ministro Dias Toffoli com um advogado ligado ao caso Master para ver a final da Libertadores no Peru. Também mostrou um salto no patrimônio da mulher de Alexandre de Moraes, Viviane Barci, após ela ser contratada para defender o Master.

A nota da ANJ chama de "criminosas" as intenções de Vorcaro e afirma que a "tentativa de intimidar um profissional de imprensa por meio de violência constitui ataque inaceitável à liberdade de expressão".

"Métodos dessa natureza, próprios de práticas mafiosas, são incompatíveis com o Estado de Direito e merecem a mais firme rejeição da sociedade brasileira", afirma a associação.

A associação também cumprimenta a Polícia Federal pela descoberta das ameaças e o ministro André Mendonça pelas providências adotadas.

A Abraji, por sua vez, diz ser "estarrecedora a revelação de que ele cogitou arquitetar um assalto violento, ou que simulasse cenário semelhante" e que as condutas narradas representam um atentado à liberdade de imprensa e à integridade física de profissionais de comunicação.

Segundo a entidade, trata-se de um ataque ao Estado democrático de Direito. "A associação espera que Vorcaro e os demais nomes envolvidos sejam punidos também pelo crime contra a imprensa e a democracia, que se faz com o direito de informar e de ser informado."

A organização também lembra que não é a primeira vez que jornalistas foram ameaçados por investigar o caso. A jornalista Malu Gaspar, também de O Globo, foi alvo de ataques após publicar reportagens sobre os vínculos de Moraes e Viviane com o caso.

"A Abraji ressalta que ameaças, intimidações ou tentativas de constranger jornalistas em razão de seu trabalho não podem ser toleradas em nenhuma hipótese. O exercício do jornalismo é protegido pela Constituição e constitui pilar essencial da democracia."

O jornal O Globo publicou nota em que diz repudiar veementemente as iniciativas criminosas planejadas contra o colunista e que a ação visava calar a voz da imprensa, um pilar fundamental da democracia.

"Os envolvidos nessa trama criminosa devem ser investigados e punidos com o rigor da lei. O Globo e seus jornalistas não se intimidarão com ameaças e seguirão acompanhando o caso e trazendo luz às informações de interesse público", completa o jornal.