RECIFE, PE (FOLHAPRESS) - O prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), renunciou ao mandato nesta quinta-feira (5). Em ofício encaminhado à Câmara Municipal, ele afirmou que deixa o cargo para disputar o Governo do Amapá nas eleições de 2026, conforme a exigência constitucional de afastamento até seis meses antes do pleito para candidatos que ocupam cargos no Executivo.

Nesta quarta (4), ele foi afastado do cargo por 60 dias, em uma investigação sobre suspeitas de um esquema de fraude a licitação no âmbito de contrato firmado pela Secretaria Municipal de Saúde da capital do Amapá.

O presidente da Câmara Municipal de Macapá, Pedro da Lua (União Brasil), assumiu a prefeitura durante o afastamento do prefeito e do vice.

O vice-prefeito, Mario Neto (Podemos), a secretária municipal de Saúde, Erica Aranha de Sousa Aymoré, e o presidente da Comissão Especial de Licitação, Walmiglisson Ribeiro da Silva, também foram alvos ação da Polícia Federal por ordem do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal). As defesas do vice-prefeito e dos servidores não foram localizadas.

No documento, Furlan diz que a decisão foi motivada por "anseio público" identificado em pesquisas de intenção de voto que, segundo ele, apontariam sua candidatura ao governo estadual.

"Minha decisão está pautada num anseio público, que vem sendo materializado em inúmeras pesquisas de intenção de voto, que anseiam minha candidatura ao cargo de Governador do Estado do Amapá, no pleito de 2026", escreveu.

Furlan é considerado rival político do senador Davi Alcolumbre (União Brasil) no Amapá. O prefeito deixou o MDB na terça-feira (3) para se juntar ao PSD.

Na operação, houve busca em endereços ligados ao prefeito, aos servidores e sócios da empresa Santa Rita Engenharia.

As investigações apontam, segundo a PF, suspeitas da existência de um esquema criminoso que envolveria agentes públicos e empresários que direcionaram licitações, desviaram recursos públicos e lavaram dinheiro.

A apuração tem como foco projeto de engenharia e de execução das obras do Hospital Geral Municipal de Macapá. Os mandados foram cumpridos em Macapá, Belém e Natal.

São investigados recursos federais provenientes de emendas parlamentares transferidos ao município entre 2020 e 2024. Segundo relatório da Controladoria-Geral da União citado na decisão do ministro, Macapá recebeu cerca de R$ 128,9 milhões por meio dessas transferências especiais, parte delas relacionadas à construção do Hospital Geral Municipal.

Nas redes sociais, Furlan sugeriu perseguição política, declara-se pré-candidato ao Governo do Amapá e fala em "ataques, perseguições e atrasos".

Em agosto do ano passado, Furlan aplicou um mata-leão no cinegrafista Iran Froes, que faz parte da equipe do jornalista Heverson Castro, do Portal do Amapá, após ser questionado sobre obras da maternidade citada na investigação.

Esta é a terceira vez que a Polícia Federal realiza uma operação contra o prefeito de Macapá.

Em 2024, próximo das eleições, ele foi alvo após indícios de fraude na execução da obra de urbanização e paisagismo na orla da cidade. Ele disse, na época, ser vítima de perseguição da oposição. A outra vez foi em 2022, quando a esposa de Furlan, Rayssa Furlan (Podemos), concorria a uma vaga no Senado contra Alcolumbre.

Furlan deve enfrentar na corrida eleitoral o atual governador do Amapá, Clécio Luís Vieira (União Brasil), da base de Alcolumbre. O prefeito foi reeleito em 2024 com 85% dos votos válidos ainda no primeiro turno, a maior aprovação de um candidato ao Executivo municipal naquele ano.

Nascido na Costa Rica, Furlan é filho de brasileiros e naturalizado no país. Ele é médico e já foi eleito deputado estadual amapaense em 2014 e 2018, antes de se tornar prefeito em 2020, ao derrotar o irmão de Alcolumbre, Josiel (União Brasil), em meio à pandemia da Covid-19.