BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o senador Rogério Marinho (PL-RN) diz que tem conversado com o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e que, em caso de vitória nas eleições, o novo governo pretende fazer novas reformas da Previdência e trabalhista.

O plano de governo do pré-candidato será lançado no próximo dia 30 de março, com diretrizes para economia (sobretudo a área fiscal), educação, segurança hídrica e terras indígenas, entre outros temas. Segundo Marinho, ainda não haverá indicação de nomes para compor a futura equipe.

Flávio tem conversado com interlocutores da área econômica e afirmou a aliados que anunciará em breve o nome de seu ministro da Economia, mas Marinho disse que não há um nome escolhido por enquanto.

Em entrevista à reportagem, o coordenador da campanha elogiou Campos Neto, tido no mercado e entre apoiadores de Flávio como um dos cotados para chefiar a equipe econômica em eventual novo governo, mas ressaltou que ainda não há qualquer definição sobre a participação ou não do economista, hoje vice-chairman e chefe global de Políticas Públicas do Nubank.

"Ele é uma pessoa extraordinária, um grande economista, um cara que em qualquer equipe econômica seria muito bem-vindo. Mas não há essa definição por parte de Flávio Bolsonaro. Nós não estamos preocupados agora em fazer essa indicação", afirmou.

Campos Neto disse a interlocutores que não pretende voltar para cargos públicos.

Outros nomes têm sido ventilados para compor a eventual equipe econômica de Flávio, como o ex-secretário do Tesouro Nacional Mansueto Almeida, hoje economista-chefe do BTG Pactual.

"É um grande nome, foi um quadro extraordinário no nosso mandato com o presidente Bolsonaro. Eu particularmente gosto muito dele. Mas, neste momento, o Flávio não tem na cabeça quem vai ser o ministro. Ele vai conversar com muita gente", disse Marinho.

Flávio também tem conversado com ex-integrantes do governo de seu pai. Um deles é Adolfo Sachsida, que foi auxiliar do ex-ministro Paulo Guedes (Economia) e também ministro de Minas e Energia.

Outros nomes citados nos bastidores como interlocutores da campanha são o do ex-presidente do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) Gustavo Montezano e o da ex-presidente da Caixa Daniella Marques, que também foi braço-direito de Guedes na Economia.

Segundo Marinho, o PL contratou uma consultoria, a GO Associados, para dar suporte à organização do plano de governo, um trabalho que teve início há seis meses. "Mais de 90 pessoas já foram entrevistadas, elenquei inicialmente 30, e fomos ao longo do tempo conversando com muita gente. Tem praticamente o material que a gente precisava. Agora, é o processo de validação, de compilação", afirmou.

O senador não citou nomes, mas disse que os especialistas entrevistados dominam áreas diversas e assinaram um termo de confidencialidade. Para se apropriar das propostas, Flávio tem uma reunião com conselheiros e estudiosos a respeito de um tema específico a cada semana.

Marinho evitou detalhar pontos do futuro plano de governo, mas adiantou que a campanha vai abordar a necessidade de fazer uma nova reforma da Previdência e revisitar a reforma trabalhista.

"O modelo está estourando. Só posso dizer que a gente vai ter que revisitar a Previdência. A trabalhista tem que ser revisitada, porque a reforma de 2017 foi mitigada por várias decisões judiciais. Ao mesmo tempo, ela precisa ser atualizada pelas inovações tecnológicas, pelas novas formas de trabalho que estão crescendo", afirmou.

Especialistas defendem a necessidade de apertar as regras de aposentadoria e pensão para conter o crescimento do déficit da Previdência, cuja última reforma foi feita em 2019. Há também quem veja na mudança da política do salário mínimo promovida pelo governo Lula (PT) um fator de pressão relevante para essa despesa. Cerca de dois terços dos benefícios previdenciários correspondem ao piso, que desde 2023 voltou a ter ganhos reais, acima da inflação.

Marinho desconversou sobre o tema e não respondeu se mudanças na política de salário mínimo serão abordadas no plano de governo de Flávio. Ele disse apenas que a nova reforma da Previdência pode envolver parâmetros ou até uma mudança de modelo.

Na campanha de 2022, Guedes chegou a discutir internamente uma proposta para permitir a correção do piso abaixo da inflação, como revelou a Folha de S. Paulo à época. A ideia seria formalmente apresentada caso Bolsonaro tivesse sido reeleito, mas teve repercussão negativa no eleitorado.

Na área trabalhista, Marinho disse que o plano deve contemplar propostas para modernizar a legislação. O tema da jornada 6x1, que vem ganhando tração em ano eleitoral, deve ser um debate a se desenrolar ainda este ano no Congresso.

Sobre este assunto, Flávio e o partido não fecharam uma posição, mas o coordenador -que também é líder da oposição no Senado- defendeu que qualquer flexibilização da jornada venha acompanhada de compensação às empresas, por meio da desoneração da folha de salários.

Marinho afirmou ainda que, se Flávio for eleito, o novo governo deve propor uma nova regra fiscal. "É evidente que nós temos que redefinir parâmetros fiscais, porque o que existe não é mais um arcabouço, é uma peneira. A forma como a política fiscal expansionista acontece no Brasil é uma das principais causas dessa taxa de juros de 15% ao ano", disse, sem detalhar o possível desenho.

Ele também citou o que classificou de problemas de vinculação e indexação do Orçamento, ou seja, o quanto das despesas já ficam carimbadas para determinados fins, sem possibilidade de manejo pelo gestor, e seguem regras automáticas de correção. "Acredito que a gente deve fazer um novo arranjo orçamentário", disse.