SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Cotados do PSD para a disputa à Presidência, os governadores do Paraná, Ratinho Jr., do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e de Goiás, Ronaldo Caiado, minimizaram nesta segunda-feira (9) o desempenho dos nomes do partido na última pesquisa Datafolha e preferiram destacar a rejeição do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Ratinho Jr. afirmou que a sociedade brasileira ainda não está focada nas eleições e citou a maior exposição dos dois nomes à frente da corrida presidencial. Ele disse ver "sem nenhuma preocupação essas pesquisas momentâneas".
Assim como Ratinho Jr., Leite citou os altos índices de brasileiros que dizem não votar em Lula nem Flávio de jeito nenhum. O governador gaúcho afirmou que as pesquisas eleitorais no atual momento devem ser vistas como instrumento para avaliar o humor do eleitor, não intenção de voto.
O petista tem 46% de rejeição, e o filho de Jair Bolsonaro, 45%, ficando empatados tecnicamente. Nesse quesito, os nomes do PSD aparecem com 19% (Ratinho Jr.), 15% (Eduardo Leite) e 14% (Ronaldo Caiado).
O governador de Goiás afirmou que a eleição está longe de ser decidida e que as pesquisas eleitorais do momento registram um Brasil ainda focado no 8 de Janeiro. Segundo Caiado, a proximidade das eleições fará com que os eleitores saiam do tema e procurem conhecer os candidatos a partir de suas perspectivas sobre outros assuntos, como a segurança pública.
Sobre intenção de votos, dos três cotados do PSD, quem aparece melhor no Datafolha é Ratinho Jr., com 7% em cenário de primeiro turno com Lula (38%) e Flávio (32%). Contra a mesma dupla de concorrentes, Caiado aparece com 4% e Eduardo Leite, com 3%.
No cenário contra Lula no segundo turno, o governador do Paraná também é aquele dentre os três que se sai melhor, com 41% ante 45%.
Os cotados do PSD participaram de evento na Associação Comercial de São Paulo, no centro da cidade. Eles disputam a candidatura à Presidência pela sigla de Gilberto Kassab, com a promessa de que os preteridos vão apoiar o nome escolhido.
Kassab citou eleições em que candidatos começaram mal e terminaram eleitos. Ele afirmou que a definição sobre qual dos três pré-candidatos deve ser o escolhido deve sair ainda em março, a pedido dos políticos. Antes, a definição era prevista até 15 de abril.
Leite afirmou que os eleitores ainda não têm o "cardápio todo" dos pré-candidatos e que os dois políticos à frente na pré-corrida eleitoral são mais conhecidos que os demais.
Para ele, é possível conversar com uma esquerda não-lulista e a direita não-bolsonarista em busca de uma terceira via. O governador do Rio Grande do Sul acredita ser possível conciliar uma "legítima preocupação social" de uma esquerda não-lulista e uma "política firme de segurança pública", bandeira de uma direita não-bolsonarista.
Leite afirmou que "é muito grave o que estamos vivendo nesse momento no Brasil", em referência à investigação do Banco Master que envolve ministros do STF, e defendeu uma idade mínima para ministros da corte. Para ele, também é preciso discutir a situação das emendas parlamentares.
O governador disse que o Brasil tem se debruçado em discussões sem perspectiva de futuro, pensando sempre no dia seguinte. "Até pouco tempo estávamos discutindo se o chinelo entra com a direita ou a esquerda", afirmou, em alusão à discussão sobre um comercial da marca Havaianas.
PESQUISA
A posição dos três pré-candidatos do PSD é bem abaixo da obtida por Flávio Bolsonaro, que já é citado por 12% das pessoas na pesquisa espontânea, atrás de Lula, com 25%. No último Datafolha, de dezembro de 2025, o senador não era citado, e seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tinha 7% das citações.
No segundo turno, Flávio Bolsonaro aparece em empate técnico com Lula, com 43% das intenções de voto ante 46%.
Dos presidenciáveis do PSD, Leite é aquele que mais tenta se distanciar de Bolsonaro, embora os três pré-candidatos da sigla se apresentem como saída contra a polarização entre o político e o atual presidente.
Na sexta-feira, o governador do Rio Grande do Sul postou nas redes sociais texto reafirmando a pré-candidatura. Nele, disse que o Brasil "permanece dividido, fragmentado, excessivamente concentrado em disputas ideológicas e paroquiais que não produzem solução".