RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), iniciou sua última semana no cargo realizando entregas em áreas que avançam sobre responsabilidades estaduais, com vistas à futura campanha para o Palácio Guanabara.

Nesta segunda (16), Paes e o governador Cláudio Castro (PL) travaram uma disputa pelo controle do transporte no Grande Rio com o início da operação do BRT Metropolitano, criado pela prefeitura. A gestão municipal colocou nas ruas ônibus para ligar Mesquita, na Baixada Fluminense, à capital fluminense, mesmo com as ameaças de reboque feitas pelo governo estadual.

No domingo (15), o prefeito participou da cerimônia de início dos trabalhos nas ruas dos primeiros agentes armados da Força Municipal de Segurança. Esta foi uma promessa de campanha com o objetivo de intensificar sua participação no tema da segurança pública, apontado como o principal nas próximas eleições do Rio de Janeiro.

Paes renuncia ao cargo nesta sexta-feira (20) para disputar o Governo do Rio de Janeiro, descumprindo promessa de concluir o mandato para o qual foi eleito em 2024. Ele deixará o comando do município como aquele que por mais tempo comandou o Palácio da Cidade: 13 anos e 3 meses. É, também, o primeiro a não concluir o mandato para o qual foi eleito.

O embate com Castro gerou uma espécie de "guerra dos ônibus" nesta segunda, em Mesquita.

A prefeitura iniciou o serviço de coletivos da cidade da Baixada Fluminense em direção ao Terminal Metropolitano Pedro Fernandes, recém-inaugurado por Paes. A promessa é reduzir tempo e custo dos moradores da região metropolitana que trabalham na capital.

A gestão Castro, porém, proibiu a execução do serviço, sob alegação de que ele não foi autorizado e avança sobre uma responsabilidade do governo estadual.

O conflito levou ao reboque de um veículo e a ameaça de prisão do secretário municipal de Transportes do Rio de Janeiro, Jorge Arraes. Após o embate pela manhã, a gestão Paes suspendeu os serviços, que previa o uso de 15 ônibus.

Em suas redes sociais, o prefeito fez críticas ao governo estadual pela proibição ao serviço.

"Alô povo da Baixada Fluminense, especialmente de Mesquita. O governo Cláudio Castro acabou de apreender um ônibus nosso do BRT Metropolitano que vai atender o morador da Baixada pela metade do tempo e metade do preço! Que gente desrespeitosa. E tem mais: estão defendendo a máfia dos ônibus e a tragédia que são esses ônibus intermunicipais. Não fazem e não deixam fazer!", escreveu.

O presidente do Detro (Departamento de Transporte Rodoviário), Raphael Salgado, afirmou que foram enviados três ofícios à Prefeitura do Rio de Janeiro sobre o assunto, todos não respondidos.

"O prefeito e seu staff têm conhecimento que o Detro terminou um estudo para uma licitação que nunca houve no estado. Estamos enviando o processo para o TCE para posterior publicação do edital. E esse estudo diz que, se o terminal ficar pronto, vamos convergir as linhas da Baixada para esse terminal."

Salgado afirmou ainda que iria oficiar o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) por uso eleitoreiro do projeto. "Se antecipando numa campanha eleitoral, a quatro dias de se desincompatibilizar, ele quer angariar votos com dinheiro do Rio de Janeiro na Baixada Fluminense."

O embate ocorre após um acirramento nos ataques entre os dois na semana passada, após a prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD), ex-secretário de Paes, sob suspeita de vínculo com o Comando Vermelho.

O prefeito acusou o governador de usar a Polícia Civil para perseguir adversários políticos. Castro, por sua vez, chamou o vereador de "braço político do CV na prefeitura". Ele foi solto um dia depois após o desembargador Marcus Basílio considerar os indícios de vínculo com a facção "bastante precários".

Castro também planeja a renúncia do cargo para disputar o Senado. Ao mesmo tempo, está com o mandato em risco com o julgamento que pode provocar sua cassação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A retomada da análise do processo está marcada para 24 de março, antes do prazo de desincompatibilização.

O plano original do governador era permanecer no cargo até a data-limite, 2 de abril. Contudo, o cálculo pode alterar a depender do avanço do processo no TSE.

Caso seja cassado, a Constituição estadual prevê uma eleição direta para a conclusão do mandato. Se renunciar, espera-se um pleito indireto, com o novo governador para o mandato-tampão feito pela Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).