BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do INSS, disse nesta quarta-feira (18) que a abertura, por Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), de uma empresa na Espanha é mais um ponto que precisa ser esclarecido em relação às atividades do empresário.

A Folha de S.Paulo mostrou que o filho do presidente abriu em Madri, no dia 13 de janeiro de 2026, uma "empresa de gaveta" chamada de Synapta. A CPI que apura os descontos indevidos em benefícios pagos pelo INSS teve início em agosto de 2025.

A defesa de Lulinha diz que a empresa na Espanha cumpre as exigências legais e ainda não exerce atividades, tendo sido formalizada visando projetos futuros. Por já estar constituída na prática, mas sem atividades efetivas relevantes, é considerada por ora como "de gaveta".

A PF afirmou em um relatório, divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo, que a saída do empresário do Brasil poderia ser uma "evasão do país".

Viana afirmou que a comissão não tem provas contra Lulinha porque, na avaliação dele, o governo teria agido, por meio de sua bancada no Congresso, para blindar o empresário.

Lulinha teve os sigilos bancário e fiscal quebrados pelo STF (Supremo Tribunal Federal), a pedido da Polícia Federal, e pela CPI do INSS em fevereiro. A decisão da comissão foi suspensa pelo ministro Flávio Dino e será julgada em plenário físico da corte.

"Não posso fazer uma afirmação de que o filho do presidente tenha culpa ou não, mas o fato é que há uma série de pontos que precisam ser investigados e que, infelizmente, a base do governo vetou", disse o senador. "Vetou na CPMI, mas está aparecendo na Polícia Federal, vai aparecer no inquérito final, e essa empresa na Espanha é mais de um ponto que precisa ser esclarecido."

As investigações sobre o INSS apuram informações, relatadas por uma testemunha, de que o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, suspeito de realizar pagamentos para manter o esquema de fraudes na Previdência, teria repassado valores a Lulinha por meio da empresária Roberta Luchsinger, amiga de sua mulher, Renata de Abreu Moreira.

"A defesa já reconheceu que ele viajou com Antonio Carlos Camilo", disse Viana. "Vou dizer que houve dolo? Isso não posso, mas nós temos todos os pontos se conectando, um lobista, pessoas ligadas a ele, gente trabalhando no mesmo escritório, É claro que nós temos a obrigação de investigar e dar uma resposta ao país."

A defesa de Lulinha admitiu que ele viajou a Portugal, com despesas pagas pelo lobista, para conhecer um projeto de canabidiol.