RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O governador interino do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto de Castro, afirmou nesta segunda-feira (23) à reportagem que um presidente de Tribunal de Justiça "não está preparado para ser governador".
Couto de Castro, presidente do TJ-RJ, assumiu interinamente o governo estadual nesta segunda após a renúncia de Cláudio Castro (PL) ao cargo, que vai disputar uma vaga no Senado em outubro.
"Um presidente de tribunal não está preparado para ser o governador do estado. Ele vai ocupar situações emergenciais, pontuais, de forma temporária para fazer essa transição", afirmou ele.
O desembargador ainda não sabe por quanto tempo vai comandar o Palácio Guanabara. Ele pode permanecer no cargo até a realização da eleição indireta para o mandato-tampão, a ser realizada em um mês, ou sair antes, caso Rodrigo Bacellar (União), presidente afastado da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), deixe o posto por renúncia ou cassação pelo TSE.
Há ainda a possibilidade do TSE desconsiderar a renúncia de Castro e cassá-lo, o que poderia provocar a realização de uma eleição direta, pelo voto popular, para o mandato-tampão.
Em breve entrevista à reportagem, o governador interino não quis fazer comentários sobre o confuso cenário político-jurídico que vive o Rio de Janeiro. Questionado sobre o tema, respondeu apenas: "O presidente do tribunal tem uma visão mais rígida das coisas. É uma visão mais legalista."
Para ele, o governador eleito tem uma visão mais ampla do que um magistrado, mais voltado à organização interna do tribunal.
"O governador tem que ter um olhar para as atividades próprias e essenciais como educação, segurança, mas também tem que ter uma noção de como se encontra o estado em termos estruturais para evitar situações negativas. Por exemplo, ele tem que saber como é que o estado está em termos de infraestrutura. Se tiver uma chuva, se tiver algo que sobrecarregue vários pontos, isso pode trazer algumas consequências e fazer com que o governador tenha que estar presente."
Considerado um magistrado técnico e discreto, Couto de Castro foi governador em exercício por dez dias, entre 28 de janeiro de 6 de fevereiro, quando o ex-governador participou de viagem oficial à Europa. No período, o único ato que assinou foi a decretação de ponto facultativo no Carnaval.
Deputados se movimentam para reduzir o tempo do desembargador no Palácio Guanabara ?um desejo também do próprio interino.
A articulação prevê a eleição de um novo presidente da Alerj por meio da renúncia de Bacellar, ainda em negociação, ou em caso de cassação pelo TSE. A escolha leva o chefe da Assembleia ao Palácio Guanabara a conduzir a eleição indireta do governador-tampão.
A ascensão do presidente do TJ-RJ ao comando do estado se deve à desintegração da cadeia iniciada em maio, quando Cláudio Castro convenceu o ex-vice-governador Thiago Pampolha a deixar o cargo para assumir uma cadeira no TCE (Tribunal de Contas do Estado) a fim de abrir espaço a Bacellar, à época presidente da Assembleia.
O desenho previa a renúncia de Castro para se candidatar ao Senado. Pelo plano, Bacellar seria escolhido pela Alerj, onde tinha amplo apoio, em eleição indireta como "governador-tampão" para concorrer à reeleição em outubro.
O plano se desfez quando Bacellar foi preso e afastado do cargo por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), sob suspeita de vazar informações da operação que prendeu o ex-deputado TH Joias, ligado ao Comando Vermelho. Ele nega.
Bacellar foi substituído por Guilherme Delaroli (PL) no comando da Assembleia. Por ser interino, ele não pode assumir o governo estadual no caso de vacância dos cargos de governador e vice.
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Dança das cadeiras no RJ
Pampolha no TCE-RJ
Ex-vice-governador Thiago Pampolha deixa o cargo para assumir cadeira no Tribunal de Contas
Castro para o Senado
Plano previa renúncia do governador Cláudio Castro para se candidatar ao Senado
Bacellar no Governo do RJ
Assim seria aberto espaço para a eleição indireta de Rodrigo Bacellar, então presidente da Alerj
Bacellar afastado
Mas Bacellar foi afastado do cargo por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF
Delaroli na Alerj
Quem substituiu Bacellar foi Guilherme Delaroli, que, por ser interino, não pode assumir o Governo do estado
Couto de Castro no poder
Com a renúncia do governador, o próximo na linha de sucessão é o presidente do TJ-RJ, o desembargador Ricardo Couto de Castro