BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A sete dias do fim da janela partidária para quem vai disputar as eleições em outubro, quase 1 em cada 4 deputados federais já trocou de partido neste mandato. A intensa movimentação, que deixará o Congresso sem sessões na próxima semana, levou o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro a retomar o tamanho do início da legislatura, o União Brasil a despencar de tamanho e ao ressurgimento do PSDB.

Desde 2022, 23% dos deputados federais já trocaram de partido ao menos alguma vez. Houve até quem se arrependeu no meio do caminho e mudasse de novo. Vanderlan Alves (CE) foi eleito suplente pelo União Brasil e em 10 de fevereiro registrou sua filiação ao Republicanos. Na quarta (25), porém, decidiu ir para o Solidariedade para concorrer à reeleição.

A deputada Magda Mofatto (GO) foi eleita pelo PL, mas saiu para o PRD ainda no primeiro ano do mandato. Retornou ao PL no dia 6 de março, numa tentativa de construir o apoio do partido à candidatura do vice-governador Daniel Vilella (MDB), mas a sigla terá candidato próprio ao governo para rivalizar com o sucessor de Ronaldo Caiado (PSD) e agora ela negocia com MDB e PSD uma nova mudança.

O deputado Duarte Jr. (MA) passou o mandato no PSB, mas apalavrado com o União Brasil. Com a ficha assinada, no entanto, se desentendeu com a legenda e agora procura outra sigla para concorrer.

As movimentações começaram antes mesmo de a janela ser aberta ?que, neste ano, é de 5 de março até 3 de abril. Neste período, deputados federais e estaduais podem trocar de partido sem o risco de perderem o mandato por infidelidade. Isso porque a Justiça eleitoral entende que o mandato deles pertence aos partidos. Já senadores podem mudar a qualquer tempo. A janela é aberta 30 dias antes da data final para a troca de partido para a próxima eleição, que será em 4 de outubro.

Antes mesmo da abertura da janela, 48 deputados federais já tinham trocado de partido, como o ex-ministro Ricardo Salles (SP), que saiu do PL e se filiou ao Novo para concorrer ao Senado, e Luciano Zucco, que trocou o Republicanos pelo PL para disputar o Governo do Rio Grande do Sul com apoio da família Bolsonaro.

As trocas desde o início do mandato desidrataram o PL. A sigla de oposição é a maior da atual legislatura e elegeu 99 deputados em 2022. No entanto, deputados saíram aos poucos, por desentendimentos dentro da própria direita ou para se aproximar do governo Lula (PT). A sigla chegou a cair para 88 deputados, próximo dos 80 da federação PT-PV-PC do B, principal grupo de sustentação ao presidente Lula.

A proximidade da eleição presidencial, e o bom desempenho do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas, mudou esse cenário. Desde a abertura da janela, o PL ganhou 18 deputados ?9 deles do União Brasil? e perdeu 5. Além disso, filiou dois suplentes no Paraná, mas que ficarão sem mandato com a volta dos titulares do PSD. Nesta quinta (26), a sigla computava 100 deputados federais titulares.

Já o União Brasil, que nasceu da fusão entre o bolsonarista PSL e o antigo DEM, está despencando. A sigla que era a terceira maior da Câmara já perdeu 20 deputados e outros anunciaram que vão sair, mas ainda negociam para qual partido. Por enquanto, chegaram apenas cinco novos parlamentares.

Um dos motivos apontados para a debandada é a federação com o PP, que fez com que as chapas ficassem muito concorridas em alguns estados e também que dirigentes estaduais perdessem o comando local para algum integrante do partido aliado.

Há ainda deputados de direita que pretendem disputar a eleição pelo PL, por entenderem que será mais fácil se reelegerem se estiverem vinculados diretamente ao partido de Bolsonaro. A percepção é de que a presença do número 22 na urna ajuda os candidatos que buscam os votos bolsonaristas.

Outra razão são desentendimentos com o novo presidente do União Brasil, Antônio Rueda. Foi o caso do deputado Danilo Forte (CE), que decidiu voltar para o PSDB após não encontrar apoio para concorrer a vaga no TCU (Tribunal de Contas da União).

O União Brasil tenta reverter essa queda ao apostar em chapas fortes com a federação com o PP e no fundo eleitoral, que ficará concentrado nas disputas ao Legislativo. Com a debandada, PP e PSD (que ganhou 9 deputados e perdeu 7) disputam o posto de terceiro maior bancada.

Já o PSDB, que definhou desde a Operação Lava Jato, tem surpreendido o mundo político e crescido nesta janela. A sigla teve confirmadas apenas quatro saídas, e ainda conseguiu filiar nove deputados, aproveitando a falta de lideranças regionais em alguns estados.

Entre os novos tucanos estão o ex-ministro das Comunicações do governo Lula Juscelino Filho (MA) e o evangélico Pastor Eurico (PE), que ficou nacionalmente conhecido ao destratar a apresentadora de TV Xuxa em debate sobre um projeto de lei.

Os tucanos também evitaram uma evasão maior em Mato Grosso do Sul, onde o governador foi para o PP, mas 2 dos 3 deputados federais devem permanecer, assim como prefeitos. O PSDB, porém, segue longe dos tempos áureos e está com 19 deputados.

Quem também tem crescido é o Podemos, que quase se fundiu com o PSDB. Sem os tucanos, filiou oito deputados e perdeu dois. Atualmente é o oitavo maior partido da Câmara, com 22 parlamentares, à frente de legendas tradicionais de esquerda como PSB e PDT ou do PSOL.

Já o PT de Lula ficou praticamente alheio à janela. Perdeu apenas uma suplente, Elisangela Araujo (BA), que será candidata pelo PSB, e não tem perspectiva de filiar ninguém.