SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A ministra do Planejamento, Simone Tebet, filiou-se ao PSB na noite desta sexta-feira (27) para disputar o Senado por São Paulo na chapa encabeçada por Fernando Haddad (PT) ao governo paulista.

A cerimônia de filiação ocorreu na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), na zona sul da capital, e foi acompanhada por quadros tradicionais do partido, incluindo o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro Márcio França (Empreendedorismo) e a deputada federal Tabata Amaral. O petista José Dirceu também compareceu.

Tebet, em seu primeiro discurso enquanto filiada ao PSB, declarou que teve a infelicidade de ser senadora durante um período de retrocessos do governo do "pior, o mais insensível presidente da história deste país, que é Jair Messias Bolsonaro".

A ministra agradeceu a Alckmin por tê-la levado ao partido e ao estado. "Meu nome está à disposição para o Senado", afirmou.

"São Paulo tem um governo absolutamente ingrato. Se hoje tem caixa no governo de São Paulo, é porque tem presidente da República que não olha coloração partidária", disse ela.

Natural de Mato Grosso do Sul, onde construiu sua carreira política, Tebet mudou de domicílio eleitoral após pedidos do presidente Lula (PT) e de Alckmin para que concorresse por São Paulo, estado onde ela foi mais votada para presidente no primeiro turno da eleição de 2022, com 1,6 milhão de votos.

Segundo pesquisa Datafolha divulgada neste mês, em um cenário no qual Alckmin também disputa o Senado, Tebet aparece com 25% das intenções de voto à casa legislativa, atrás apenas do vice-presidente, com 31%.

Tebet era filiada ao MDB desde 1997, mas como o partido apoia a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no estado, a troca de domicílio também exigiu que ela migrasse para outra sigla.

Pelo MDB em Mato Grosso do Sul, ela foi deputada estadual (2003-2004), prefeita de Três Lagoas (2005-2010), vice-governadora (2011 a 2014) e senadora (2015 e 2023). O pai dela, Ramez Tebet, foi governador e senador do estado.

Durante o evento de filiação, os discursos focaram nas eleições de 2022 e na defesa da democracia.

Geraldo Alckmin declarou que os eleitores terão de fazer uma escolha entre quem gosta da democracia e quem "gosta de ditadura".

"O presidente Lula salvou a democracia no Brasil. Se eles [do governo Bolsonaro], perdendo as eleições, tentaram dar um golpe, imagina vencendo?", declarou o vice-presidente.

Ele também disse que Tebet, enquanto ministra do Planejamento, colaborou para que o estado tivesse financiamento federal em grandes projetos, como o trem intercidades de São Paulo a Campinas, uma das bandeiras que tem sido levantada por Tarcísio em sua pré-campanha à reeleição.

Tabata fez um discurso duro lembrando as eleições de 2022 e a tentativa de golpe de Estado. Com muitas críticas ao governo Jair Bolsonaro (PL), a deputada disse que o "projeto autoritário" foi derrotado graças a Alckmin e Tebet, que apoiaram a chapa de Lula naquelas eleições -a ministra declarou apoio ao petista no segundo turno.

"Esse projeto autoritário foi derrotado. E isso só foi possível porque duas pessoas, no tempo certo, tiveram a coragem de se colocar a serviço do país", disse Tabata. "Sem a firmeza, a coragem, o compromisso democrático e sem a decisão de colocar o Brasil acima de qualquer projeto pessoal, a história teria sido outra. Essas duas lideranças que ajudaram a salvar a nossa democracia estão agora no mesmo partido", acrescentou.

A deputada disse que São Paulo tem um papel decisivo na história e que muitas vezes define os rumos do país. Tabata também sinalizou que o PSB pretende manter Alckmin como vice de Lula. O presidente deixou em aberto, na semana passada, a possibilidade de o pessebista sair ao Senado.

"Vamos seguir com o vice-presidente Geraldo Alckmin liderando nosso país ao lado do presidente Lula", disse Tabata.

Na sexta passada (20), Haddad defendeu a mudança de estado e disse que a ministra tem mais raízes em São Paulo do que Tarcísio, que é carioca e foi tratado como forasteiro em 2022.

"Ela tem muito mais raízes em São Paulo, infinitamente, do que o Tarcísio. Tem duas filhas que moram há anos em São Paulo, vem toda semana", disse o petista.

CHAPA LULISTA

A outra vaga ao Senado por São Paulo, ainda em aberto, deve ser ocupada pela ministra Marina Silva, do Meio Ambiente.

Márcio França, que inicialmente havia se colocado como pré-candidato ao governo, tem dito a aliados que busca pleitear para si a candidatura a senador. O Painel mostrou que Lula estuda oferecer a ele o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, hoje comandado por Alckmin, para tirar o ministro das eleições e consolidar o palanque no estado.