BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Polícia Federal prendeu preventivamente (sem tempo determinado) nesta terça-feira (31) Márcio José Toledo Pinto, ex-assessor do STJ (Superior Tribunal de Justiça) suspeito de vender decisões da corte.
Toledo foi um dos indiciados no último relatório da Operação Sisamnes, sob suspeita de crimes como corrupção e violação ao sigilo funcional. Após audiência de custódia, na qual foi mantida a ordem de prisão, o ex-assessor foi encaminhado ao Complexo Penitenciário da Papuda.
No início da manhã, policiais haviam cumprido busca e apreensão determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), devido à suspeita de obstrução de Justiça. Procurado, o advogado de Toledo disse que ainda não havia tido acesso aos autos e não iria se manifestar.
A PF afirmou ao ministro que Toledo estava perseguindo e filmando delegados responsáveis pela operação e chegou a pedir a prisão temporária dele, mas Zanin não viu necessidade.
Depois da busca e apreensão, porém, eles analisaram os dados do celular do ex-assessor e entenderam pela necessidade de prisão preventiva, determinada pelo ministro.
O ex-servidor trabalhou em diversos gabinetes da corte. Ele foi demitido em setembro após virar alvo de uma investigação interna do STJ aberta após a revelação de relações de servidores do tribunal com o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves.
A demissão, sob a justificativa de que ele cometeu infrações no regime jurídico do servidor público, foi publicada em portaria assinada pelo presidente do STJ, ministro Herman Benjamin, e diz que ele se valeu do cargo "para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da função pública" e revelou "segredo do qual se apropriou em razão do cargo".
Toledo é suspeito de irregularidades nos gabinetes das ministras Nancy Andrighi e Isabel Gallotti -elas não são investigadas.
Ele é investigado por movimentações realizadas em processos "com alteração e exclusão de minutas internas em poucos minutos, inviabilizando a visualização por outras pessoas", segundo decisão de Zanin.
