SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) pediu união e pacificação de aliados em vídeo publicado na noite deste sábado (4) após novo atrito entre seu irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL), e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

"Estou gravando este vídeo para tentar chamar a todos para a racionalidade. É muito angustiante ver lideranças do nosso lado se digladiando enquanto a gente tem um país para resgatar e o inimigo não tá aqui, tá do lado de lá. Esse é o tipo de confusão que não tem um vencedor. Todo mundo sai perdendo", disse Flávio nas redes sociais.

O novo embate público dos aliados começou após Eduardo acusar Nikolas de compartilhar perfis de pessoas que não declaram voto direto em Flávio na disputa ao Planalto. O deputado mineiro, então, respondeu com um riso à publicação.

"Risinho de deboche para mim? Ao que parece, não há limites para seu desrespeito comigo e minha família", disse Eduardo depois.

Ele continuou: "Os holofotes e a fama te fizeram mal, infelizmente. Demorei muito para acreditar que você trabalhava o algoritmo das suas redes para dar visibilidade a quem deseja a morte de meu pai, a quem comemora a prisão dele e a todos os que odeiam a mim e a minha família".

Eduardo afirmou ainda que Nikolas coloca Flávio em uma "espiral de silêncio" ao não demonstrar apoio público efetivo ou divulgar suas ações.

Após a briga, Nikolas, que foi o deputado mais votado do país em 2022, compartilhou o vídeo apaziguador de Flávio Bolsonaro com o comentário: "Concordo, presidente. Cada um fazendo sua parte chegaremos lá".

Em fevereiro, Nikolas já havia afirmado, após visita a Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha, que Eduardo "não está bem", em resposta às críticas feitas contra ele e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro por, na visão de Eduardo, não terem se engajado o suficiente na campanha de Flávio.

O racha interno do PL, com cobranças públicas e trocas de farpas nas redes sociais, é mais um capítulo na disputa por influência e protagonismo na direita bolsonarista após o ex-presidente Bolsonaro ter sido preso e declarado inelegível.

Conforme mostrou a Folha de S. Paulo, integrantes do centrão avaliam que as brigas públicas, principalmente envolvendo a família Bolsonaro, dificultam a costura de alianças para Flávio Bolsonaro e arranham a imagem de moderação que ele tenta projetar.