BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, confirmou que irá depor na quarta-feira (8) à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado do Senado. A reunião está marcada para começar às 10h.
A informação foi dada pelo presidente da comissão, Fabiano Contarato (PT-ES), nesta terça (7) e confirmada pela assessoria de imprensa do Banco Central. Galípolo foi convidado a participar da CPI e, por isso, sua presença não é obrigatória.
O requerimento aprovado para convidar o presidente da autoridade monetária, apresentado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), justifica o depoimento ao mencionar o encontro de Galípolo com o presidente Lula (PT) e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, no Palácio do Planalto em 4 de dezembro de 2024.
"A presença de dirigente do Banco Central do Brasil em encontro dessa natureza, envolvendo agente econômico investigado, suscita questionamentos legítimos quanto à finalidade institucional da reunião, ao seu conteúdo e aos limites da atuação de autoridades monetárias em situações sensíveis do ponto de vista regulatório e investigativo", diz o documento.
"Considerando que o Banco Central exerce função essencial na supervisão, fiscalização e estabilidade do sistema financeiro nacional, é imprescindível que esta comissão tenha pleno esclarecimento acerca das razões que motivaram a participação do sr. Gabriel Galípolo no referido encontro", completa.
O encontro foi antes do escândalo de fraude financeira ser conhecido do público.
Vorcaro foi ao Planalto acompanhando o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Augusto Lima, ex-sócio do Master, também estava com eles. Mantega tinha uma conversa marcada com o chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Depois, pediu para falar com o presidente.
Na mesma audiência, a CPI do Crime Organizado também quer ouvir o ex-presidente do BC Roberto Campos Neto ?que foi convocado a depor, o que torna sua presença obrigatória. O economista já foi liberado pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça de falar ao colegiado.
Caso não seja prorrogada, a comissão está em suas últimas semanas de funcionamento. O prazo dos trabalhos é até 14 de abril. Na segunda (6), o relator Alessandro Vieira (MDB-SE) um pedido para estender o período por 60 dias.
O colegiado foi instaurado em novembro de 2025 na esteira da Operação Contenção, no Rio de Janeiro, que deixou 122 mortos. No entanto, como mostrou a Folha, o grupo se tornou uma das frentes encontradas pelos senadores para apurar o caso Master diante da resistência de Alcolumbre em abrir uma CPI sobre o tema.
