SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governador e pré-candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos) se disse favorável à proposta para acabar com a reeleição à Presidência da República, protocolada pelo senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no mês passado.
"Eu, hoje, acho que a reeleição está fazendo mal para o Brasil", afirmou Tarcísio nesta terça-feira (7) à imprensa durante a entrega de um piscinão em Franco da Rocha, na Grande São Paulo.
Tarcísio, que buscará um segundo mandato ao governo estadual no segundo semestre, chamou a PEC (proposta de emenda à Constituição) de Flávio de "acerto para o Brasil". O texto determina que o presidente é inelegível para a mesma função na eleição seguinte, proibição que não se aplica a outros cargos políticos.
Como mostrou a Folha, a PEC é vista pelo entorno de Flávio como um aceno a potenciais aliados, incluindo o próprio Tarcísio, de que o caminho para o Palácio do Planalto estaria livre em 2030. Além disso, atrairia o apoio de governadores, deputados e senadores que buscam a reeleição.
A proposta também não excluiria o pai dele, Jair Bolsonaro (PL), de tentar novamente a Presidência caso saia da prisão, já que o veto seria apenas para dois mandatos consecutivos.
"A gente tem que se questionar, neste momento, em que medida a reeleição está ajudando ou não o país. Em que medida uma pessoa que entra consegue estabelecer uma visão de longo prazo ou fica muito refém da possibilidade de reeleição, deixando ou perdendo tempo, deixando de fazer aquilo que precisa de fato ser feito", declarou Tarcísio.
O governador também afirmou que é necessário discutir uma reforma política no país e sinalizou apoio ao voto distrital, que altera a forma de eleição para as cadeiras do Legislativo. "Em que medida as pessoas estão sendo representadas, os territórios estão sendo representados? E aí vem a discussão do voto distrital", disse.
Há uma discussão no Congresso Nacional, capitaneada por líderes do centrão, sobre a adoção do voto distrital misto, que deixaria metade das vagas para o sistema proporcional da forma como ele funciona atualmente, e a outra metade destinada a votos por distritos, de modo semelhante ao aplicado nos Estados Unidos. Na prática, a proposta reduziria o impacto dos puxadores de votos.
Um dos defensores do voto distrital misto é o secretário de Projetos Estratégicos do governo Tarcísio, Guilherme Afif Domingos.
CONVERSA COM BOLSONARO
Tarcísio também declarou que discutirá com Bolsonaro sobre a composição da chapa em São Paulo, que deve ter um quadro do PL concorrendo a uma das duas vagas ao Senado -a outra deve ser disputada pelo ex-secretário de Segurança Pública estadual, Guilherme Derrite (PP).
"Eu pretendo ter uma conversa também com o próprio [ex-]presidente Bolsonaro a respeito disso, com o Eduardo [Bolsonaro]. Era uma vaga que, naturalmente seria do Eduardo, caso ele estivesse no Brasil. Mas, não estando, a gente vai procurar o melhor nome que possa representar esse grupo", disse o governador.
Ele acrescentou que "não tem grande divergência" sobre quem será o candidato. Hoje, os nomes mais citados por integrantes do PL são o do deputado federal Mario Frias, o do vice-prefeito de São Paulo, Coronel Mello Araújo, e o do deputado André do Prado, presidente da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo).
