SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Única pré-candidata mulher à Presidência da República neste ano, Samara Martins, 38, critica a falta de visibilidade de seu nome e fala em disputar as eleições para valer.
Samara foi lançada ao Palácio do Planalto pela UP (Unidade Popular), partido aprovado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em 2019. Ela já concorreu numa eleição presidencial uma vez, mas como vice na chapa de Leonardo Péricles. A dupla terminou com 0,05% dos votos.
Questionada sobre a possibilidade de êxito nessas eleições, ela diz que "chances reais de vitória dependem do povo", a quem cabe decidir se quer uma alternativa. "É possível que a gente consiga, sim," afirma.
"Essa invisibilidade das mulheres também é clara na política, tanto que o nosso nome basicamente não é citado como pré-candidatura em nenhum veículo de comunicação maior, às vezes só em pequenos blogs, em pequenos jornais", afirma Samara.
Para a pré-candidata, isso demonstra que a sociedade ainda considera as mulheres "menores", menos importantes.
Samara critica o que chama de falsa polarização e as menções a duas ou no máximo três candidaturas que terminam eclipsando as demais.
A ativista trabalha no SUS (Sistema Único de Saúde), na área da saúde da família. Ela é cirurgiã-dentista. Natural de Minas Gerais, mora com a família no Rio Grande do Norte, estado onde concluiu a graduação.
Militante desde a juventude, foi do grêmio estudantil, diretora de mulheres da UNE (União Nacional dos Estudantes), do movimento de mulheres Olga Benário e coordenadora da Frente Negra Revolucionária, uma iniciativa da UP de combate ao racismo.
Segundo ela, sua campanha terá um tom socialista. Ela acredita que políticas como a PEC da Blindagem ou o PL Antiaborto por Estupro são "antipovo" e "advêm do sistema capitalista no qual tudo gira em torno do lucro de alguns".
Samara pode ser não apenas a única mulher, mas também a candidata mais jovem do pleito. Ela defende a renovação da política do país e a chegada de uma juventude com potencial de transformação.
