BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu pressionou a cúpula do PT contra uma candidatura própria do partido no Rio Grande do Sul. O diretório gaúcho do partido resistia a apoiar a candidata do PDT ao governo do estado, Juliana Brizola, mas mudou de posição nesta quinta-feira (09) após uma operação abafa da executiva nacional petista.

Dirceu enviou uma carta ao presidente nacional do PT, Edinho Silva, e ao GTE (Grupo Tático Eleitoral) do partido, órgão que é responsável por definir as estratégias e direcionamentos de alianças eleitorais da sigla. O ex-ministro afirmou que a legenda estava abrindo mão, em vários estados, de candidaturas próprias em nome da aliança para reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Nesta semana, o conflito escalou. O PT gaúcho, que defendia o nome do ex-deputado estadual e ex-presidente da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) Edegar Pretto para disputar o Palácio do Piratini, reclamou do que considerou uma tentativa de intervenção do diretório nacional.

"Praticamente em todo o Brasil, essa política foi acatada e definida pelas direções estaduais. (...) Assim sendo, não se trata de intervenção, como está sendo argumentado no caso gaúcho, nem de uma violência estatutária, mas simplesmente da aplicação, no entender do GTE Nacional, da tática definida pelo Diretório Nacional", diz um trecho da carta enviada por Dirceu a Edinho.

A entrada de Dirceu na jogada foi vista como uma maneira de equilibrar a disputa, que estava recheada de quadros históricos do PT. Edegar Pretto era apoiado por nopmes como os ex-governadores Tarso Genro e Olívio Dutra.

Ex-presidente nacional do partido, Tarso, que foi ministro da Educação e da Justiça nos primeiros mandatos de Lula, disse que uma intervenção é um desrespeito à militância e ao histórico do PT gaúcho, que comandou o estado duas vezes e governou Porto Alegre de 1989 a 2004.

"Eu não acredito que eles tenham coragem de fazer uma intervenção para dizer para a militância aqui no estado que a nossa candidata é de outro partido", disse na ocasião.

O Rio Grande do Sul, porém, foi um dos três estados nos quais o PDT pediu o apoio do PT nas negociações para entrar formalmente na aliança nacional lulista. Espera-se que a resolução garanta a Lula um palanque no estado e abra caminho para adesão formal dos pedetistas à campanha lulista.