RIO DE JANEIRO, RJ E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), citou nesta quinta-feira (9) o caso do Banco Master, que envolve colegas da corte, para defender seu estado de origem, o Rio de Janeiro, de críticas que considerou "generalizadas".

O embate ocorreu durante o julgamento sobre as eleições do mandato-tampão para o comando do Palácio Guanabara.

Fux saiu em defesa do Rio após críticas à degradação institucional do estado feita por Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes (os dois citados no caso Master) e Flávio Dino. Para o ministro carioca, os comentários foram "manifestação de profundo descrédito em relação ao Rio de Janeiro de forma generalizada".

"Eu até credito que muitos assim o fizeram, porque ingressaram no Supremo Tribunal Federal em época posterior, mas essa perplexidade não seria tão grande se colegas tivessem participado do julgamento do mensalão, do julgamento da Lava Jato, desse julgamento agora do INSS e do Banco Master, porque os escândalos não são concentrados no estado do Rio de Janeiro", afirmou Fux.

Gilmar pegou carona em um avião da Prime Aviation, empresa da qual o dono do Master, Daniel Vorcaro, era sócio.

"Há bons políticos políticos no estado do Rio de Janeiro, que representam o estado na Câmara Federal. São excelentes políticos. De sorte que se esses políticos tiverem que ir para o inferno, eles vão acompanhados de altas autoridades", afirmou Fux.

A fala do ministro ocorreu após Gilmar, Dino e Moraes debaterem o envolvimento de políticos do estado em escândalos criminais.

Gilmar afirmou ter recebido informações do diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, segundo a qual "32 ou 34 parlamentares da Assemleia recebem mesada do jogo do bicho". "Estamos vivendo esses episódios a toda hora. Deus tenha piedade do Rio de Janeiro."

Dino listou a sequência de ex-governadores presos ou investigados por crimes, sendo o último o ex-governador Cláudio Castro (PL), condenado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

"Repito Gilberto Gil: 'o Rio de Janeiro continua lindo, continua sendo'. Nada contra. Mas, institucionalmente, o povo do Rio tem essa perplexidade."

Moraes citou o caso Marielle Franco, em que foram condenados dois ex-deputados fluminense, Domingos e Chiquinho Brazão, ambos também apontados como líderes de uma milícia na zona oeste do Rio de Janeiro.