BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que a prisão do também ex-parlamentar Alexandre Ramagem (PL-RJ) pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos nesta segunda-feira (13) foi motivada por uma suposta infração de trânsito leve e que há "boa expectativa" pela liberação.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Eduardo afirmou que está trabalhando para que Ramagem seja solto pelas autoridades com agilidade. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) mora nos EUA desde fevereiro de 2025, onde articula sanções contra autoridades brasileiras.
Detido pelo ICE, Ramagem é considerado foragido da Justiça brasileira. A Polícia Federal afirma que ele foi preso por questões imigratórias em Orlando, na Flórida. A detenção não tem relação com a condenação na trama golpista pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
A corte condenou, em setembro do ano passado, o ex-parlamentar à perda de mandato e a 16 anos e um mês de prisão por participação em tentativa de golpe de Estado em 2022. Ele atuou como diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) no governo Bolsonaro.
No vídeo, Eduardo Bolsonaro também afirmou que o status do Ramagem nos EUA é legal e que ele aguarda a análise de um pedido de asilo. "Que normalmente é, sim, demorado, mas tem tudo para ser deferido", declarou.
"A questão do Ramagem não se trata de uma prisão provocada pelo governo brasileiro num processo de extradição, mas sim porque ele provavelmente, supostamente, cometeu uma infração de trânsito leve e acabou sendo levado para a delegacia, onde acabou culminando na análise migratória do ICE", disse.
"Isso daí é uma detenção, não é uma prisão propriamente dita. Mas há boa expectativa de que ele seja solto e continue respondendo ao seu processo de asilo em liberdade", completou.
Segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, o ex-diretor da Abin saiu de forma clandestina do Brasil pela fronteira com a Guiana. Em dezembro, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a abertura do processo de extradição de Ramagem.
Em nota, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que acompanhará "com máxima atenção" a prisão de Ramagem e que o caso "toca diretamente no respeito às garantias e à atuação de um parlamentar eleito pelo povo brasileiro".
"Confiamos no bom senso das autoridades dos Estados Unidos para compreenderem o contexto em que se insere este episódio, marcado por um cenário de forte tensão política no Brasil", escreveu.
Já o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto (PL-PB), afirmou que o caso de Ramagem, seria "mais um capítulo" de um parlamentar eleito "sendo silenciado, censurado, perseguido e até ser empurrado para fora do próprio país".
"Isso não começou hoje. É uma sequência de decisões que vêm, passo a passo, restringindo a atuação de quem se posiciona contra o sistema", afirmou, em comunicado.
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