BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) não participou nesta terça-feira (14) de seu interrogatório ao STF (Supremo Tribunal Federal) no inquérito em que ele é acusado de coação à Justiça. O depoimento estava marcado para começar às 14h.

Eduardo não era obrigado a participar ou a responder a perguntas durante o interrogatório, realizado por videoconferência. Ele mora nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado, onde articula sanções a autoridades brasileiras.

O interrogatório é considerado um instrumento da defesa, mas o resultado dele pode ser usado também pela acusação para reunir provas.

Com a ausência de Eduardo, o processo contra ele no STF seguirá seu curso normal, sem prejudicar os próximos passos do inquérito ou implicar em punições ao ex-deputado por ele ter faltado à etapa.

Agora, o processo entra na fase das alegações finais e, depois, deve ser levado à julgamento. O ministro Alexandre de Moraes é o relator do caso.

Eduardo Bolsonaro e o comentarista Paulo Figueiredo, que também vive nos EUA, foram denunciados em setembro de 2025 pela PGR (Procuradoria-Geral da República) pela prática continuada do crime de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

A procuradoria afirma que ambos atuaram de forma articulada para pressionar ministros do Supremo, buscando impedir a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Eduardo, e do próprio Figueiredo em ações penais na trama golpista.

A denúncia afirma que Eduardo e Figueiredo mobilizaram contatos no país americano para obter sanções pessoais contra ministros da Corte e até punições econômicas ao Brasil, numa estratégia de intimidação. As medidas foram publicamente defendidas pelos denunciados em entrevistas, redes sociais e transmissões ao vivo.

Em novembro do ano passado, a Primeira Turma do STF decidiu, por unanimidade, receber a denúncia contra Eduardo. Em seu voto, Moraes disse que a PGR levantou diversos indícios de que o ex-deputado atuou nos EUA para pressionar o Judiciário a suspender o processo contra seu pai na trama golpista.