BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negocia um acordo com parte do centrão e com a direita, nesta terça-feira (14), para uma aliança que possa derrotar o candidato do PT ao TCU (Tribunal de Contas da União).

O PL quer vencer o deputado Odair Cunha (PT-MG), que concorre com o apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Segundo aliados, Flávio escolherá entre: Soraya Santos (RJ), indicada pelo PL; Elmar Nascimento (BA), indicado pelo União Brasil; ou Hugo Leal (RJ), do PSD.

Como resultado do acordo, a candidata do Novo, Adriana Ventura (Novo-SP), desistiu da sua candidatura e apoiará Soraya ou outro nome definido por Flávio Bolsonaro. A desistência ainda não foi anunciada publicamente, mas foi confirmada por parlamentares do PL à reportagem. Ventura não se posicionou.

Flávio esteve na manhã desta terça, horas antes da votação prevista para o fim da tarde, com Elmar Nascimento, Adriana Ventura, Hugo Leal (PSD-RJ), Danilo Forte (PP-CE), e Gilson Daniel (Podemos-ES), além da própria Soraya Santos.

O senador está negociando um candidato único a ser apoiado pelo União Brasil, PSD, Podemos, PL e Novo. O grupo acredita que, somados os votos dos partidos, há chances de derrotar Odair Cunha. A princípio, Danilo Forte não entrará no acordo.

O petista conta com apoio da base do governo, tendo na sua aliança PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL e Rede, além de uma ala do centrão, como o Republicanos de Motta, o MDB e parte do PP. O apoio do presidente fez parte do acordo que levou o PT a apoiar o paraibano na eleição para o comando da Câmara.

A eleição para o próximo ministro do TCU está marcada para esta terça-feira no plenário da Câmara dos Deputados. O voto é secreto e será eleito o parlamentar que obtiver a maior quantidade de votos, em apenas um turno. Depois, o candidato ainda deverá ser referendado pelo Senado Federal.

O TCU tem como função auxiliar o Congresso a acompanhar e fiscalizar a execução orçamentária e financeira do Brasil, exercendo controle externo do governo federal.

De acordo com o site do tribunal, a instituição é responsável pela fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial dos órgãos e entidades públicas do país quanto à legalidade, legitimidade e economicidade.

Na segunda-feira (12), Elmar Nascimento havia indicado que poderia abrir mão de sua candidatura. "Se alguém demonstrar mais viabilidade que eu, por que não?", afirmou em coletiva de imprensa. "Quem quer apoio deve estar disposto a apoiar", disse.

Danilo Forte afirmou que já era tarde para fomentar uma candidatura única. O deputado disse que procurou Flávio Bolsonaro ainda em novembro de 2025 para conversar sobre o tema. "Pode-se gerar até uma certa suspeição de quem for abrir mão de sua candidatura agora, fica difícil", disse.

A indicação da deputada Soraya Santos foi firmada na última semana, quando o PL abandonou a candidatura do deputado Hélio Lopes (RJ). "Meu apoio é para Soraya Santos, por ser mulher, qualificada, preparada e com boa articulação política para conseguir esta vaga da Câmara. Incomoda todo mundo que entre os membros atuais do TCU não há sequer uma mulher", disse Flávio Bolsonaro em coletiva.

Motta tem dito a aliados que, se os partidos questionarem o acordo firmado em torno de Odair, também poderão ser quebrados outros entendimentos que dividem o poder na Câmara. Dessa forma, legendas podem perder relatorias e presidências de comissões importantes, como a do Orçamento.

Na segunda, a Comissão de Finanças e Tributação aprovou a admissibilidade de todas as candidaturas por unanimidade, após debate sobre propostas para atuação no TCU.

As emendas parlamentares, alvo de embates com outros Poderes após a disparada de valores nos últimos anos, estiveram entre os temas mais abordados. Os candidatos defenderam as emendas impositivas como instrumentos legítimos do Parlamento.