WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi solto nesta quarta-feira (15), dois dias após a prisão dele pelo ICE, agência de imigração dos Estados Unidos.

A informação foi confirmada por agentes da Polícia Federal, pela família e por aliados bolsonaristas, como o blogueiro Allan dos Santos e o empresário Paulo Figueiredo.

O nome de Ramagem, que aparecia no site do ICE e no do condado de Orange, na Flórida, não estava mais disponível no final da tarde desta quarta na lista de detidos.

Nesta terça (14), o governo dos Estados Unidos, por meio do condado da Flórida, tinha divulgado uma imagem do ex-deputado federal preso, com um moletom verde, e confirmado a detenção dele pelo ICE, mas mantendo a posição de evitar a divulgação de detalhes.

Um documento do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos mostrou que o ex-deputado estava com visto expirado e estava sujeito a deportação.

De acordo com o empresário Paulo Figueiredo, Ramagem já estava em casa com a família na Flórida.

"Alexandre Ramagem está livre. Obrigado a todos que oraram. Obrigado, presidente Trump e a todos da administração", afirmou o empresário, que ajudou nos trâmites para a liberação.

O empresário nega que o ex-deputado tenha pago fiança para sair da prisão. "Com boa vontade, foi verificado que a situação imigratória dele é absolutamente regular, como dito originalmente. EUA são Império das Leis e não a várzea que se tornou o Xandaquistão [uma referência ao ministro do STF Alexandre de Moraes]. Ele não responderá a nenhum processo criminal", disse Figueiredo.

O blogueiro bolsonarista Allan dos Santos publicou nas redes sociais que Ramagem estava livre e em casa. "Deus abençoe a todos vocês que lutaram pelo nosso irmão."

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro também celebrou a soltura, agradeceu a Donald Trump e ao secretário de Estado, Marco Rubio, e afirmou que Ramagem merece "asilo na terra da liberdade da liberdade, ao lado de sua corajosa esposa e sua belas filhas".

A esposa de Ramagem, Rebeca, divulgou um vídeo ao lado das duas filhas do casal afirmando que a família passou por momentos duros e de dor, mas que teve confiança em Deus. Após celebrar a saída dele da prisão, fez campanha para Flávio Bolsonaro. "Vamos mudar esse país, vamos mudar o destino desse país. Para isso, precisamos do Flávio Bolsonaro presidente", disse.

Ramagem foi preso na segunda (13) pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos.

A Polícia Federal afirmou que o ex-deputado foi preso em decorrência de uma cooperação policial internacional junto a autoridades dos EUA. Aliados do ex-deputado dizem que ele foi detido devido a uma suposta infração de trânsito leve, o que culminou em uma análise migratória.

Ele estava com o visto de turista expirado e por isso estava sujeito à deportação, de acordo com um documento do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos.

Além de deputado, Ramagem foi diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) no governo de Jair Bolsonaro (PL) e condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) à perda de mandato e a 16 anos e um mês de prisão por participação em tentativa de golpe de Estado.

O presidente Lula (PT) disse nesta terça que Ramagem precisava voltar ao Brasil para cumprir pena.

"O Ramagem acho que vai vir para cá. A direita aqui no Brasil está dizendo que ele foi preso em uma multazinha. Não. Ele foi preso, já estava condenado a 16 anos nesse país. Ele foi um golpista que está condenado. Tem que voltar para o Brasil para cumprir sua pena", declarou em entrevista aos sites Brasil 247, DCM e Revista Fórum.

No Brasil, o ex-deputado é considerado foragido. Segundo Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, Ramagem teria deixado o Brasil por meio da Guiana antes do fim do julgamento do STF.