SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes (PSDB) participou de um evento do seu partido na manhã deste sábado (25) em São Paulo e disse que decidirá em maio se aceitará o convite do presidente da sigla, Aécio Neves, para disputar novamente a Presidência. Ele disse que, caso tivesse juízo, recusaria a proposta.
"Eu quis muito, mas não consegui [ser presidente]. E, na última eleição, eu me senti profundamente humilhado por uma campanha fascista que me negou o próprio direito de participar. Uma coisa constrangedora e eu, se tivesse juízo mesmo, não chegaria mais perto dessa quadra política fascista de lado a lado nem para dar parabéns nem para dar os pêsames", disse Ciro, a jornalistas, antes de subir no palco.
Em 2022, no PDT, Ciro concorreu pela quarta vez à Presidência, ficando em quarto lugar, com 3% dos votos válidos. Foi pressionado ao longo da campanha por petistas a desistir, para evitar uma perda de votos para Lula. No segundo turno, declarou voto no atual presidente, sem participar de atividades de campanha.
Neste ano, Ciro vinha articulando uma candidatura ao Governo do Ceará. Ele justifica o plano dizendo que, após a última eleição, voltou ao estado e o encontrou "em situação de entrega absoluta ao crime organizado".
Contudo, diante do convite de Aécio, se diz obrigado "por respeito ao PSDB, a pensar no assunto".
A campanha de Ciro no Ceará vinha sendo construída com uma aliança que incluiria o PL, partido de Jair Bolsonaro. Os bolsonaristas, entretanto, trabalham pela eleição do senador Eduardo Girão (Novo-CE).
Ciro disse avaliar que, em seu estado, é possível construir "um movimento que localmente permite superar divergências insuperáveis em nível nacional".
O evento tucano em São Paulo ocorreu no salão de festas do clube Juventus, na Mooca, zona leste, e foi voltado aos pré-candidatos ao Legislativo da sigla, com palestras sobre uso de redes sociais e legislação eleitoral.
O presidente estadual do partido, Paulo Serra, ex-prefeito de Santo André e pré-candidato ao governo paulista, estimou que a legenda lançará 195 candidatos à Câmara dos Deputados e à Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo).
A jornalistas, antes de subir no palco, Ciro fez um discurso com críticas ao governo federal, citando o alto endividamento das famílias e o que ele chamou de falta de plano nacional para terras raras, minerais que ascenderam como recurso vital para a expansão da inteligência artificial.
No palco, ele reforçou o discurso nacionalizado. "Ainda nesta semana, o governo decidiu autorizar que se use o FGTS dos trabalhadores para honrar dívidas", disse. "O FGTS, no estoque, é o último volume de dinheiro para financiar saneamento básico e moradia popular. E, no fluxo, é onde o trabalhador demitido, doente, precisando casar, vai para poder sacar. Agora, com aplauso das centrais sindicais, esse dinheiro vai para os bancos."
Ele disse ainda que o Brasil precisa de uma "ruptura" e que fará tudo o que puder para ajudar.
Pesquisa Datafolha feita em março mostrou Ciro na liderança da disputa ao Governo do Ceará, com 47% das intenções de voto. O atual governador, Elmano de Freitas (PT), marcou 32% na ocasião. O ex-presidenciável governou o estado de 1991 a 1994.
